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Maria AmáLia Vaz de Carvalho e a Condição Feminina
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A leitura das crônicas que Maria Amália Vaz de Carvalho publicou no matutino carioca O Paiz, entre 1884 e 1889, permite regressar ao convívio de uma escritora portuguesa que uniu interesses muito variados e uma visão culta às grandes questões da atualidade, nomeadamente aquelas que tocavam o estatuto da mulher, acidulado pelas ideias modernas de emancipação e democracia. Como Atravessando Fronteiras: Maria Amália Vaz de Carvalho e a Condição Feminina bem esclarece, os escritos jornalísticos da literata portuguesa manifestam a tensão própria da passagem dos costumes tradicionais, que não enjeita, para o seu debate no novo espaço público, com as distâncias encurtadas pela velocidade a vapor, a rotina elidida pelo telégrafo, a pólis tecida por periódicos e o foro comum atingido pelas novidades que aproximaram europeus e americanos. Se a singeleza na interpretação de qualquer documento prima pela credulidade, como as autoras, especialistas na circulação das letras, recordam, só a problematização historiográfica, que exercitam metodicamente, faculta a compreensão e a fruição da eloquência da palavra feminina então publicada. Além de fundamental, este é um estudo particularmente pertinente, já que converge com os resultados do projeto, é preciso falar sobre as ausentes: a colaboração feminina no jornal O Paiz, resultante de parceria acadêmica entre a University College London (UCL), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). A pesquisa reuniu crônicas de quatro colaboradoras do cotidiano, entre as quais as de Maria Amália Vaz de Carvalho, cuja colaboração no jornal brasileiro é analisada no presente volume. [Professor Doutor Luís Manuel Crespo de Andrade – Universidade Nova de Lisboa]
Ana Cláudia Suriani da Silva é Associate Professor in Brazilian Studies, University College London (UCL). É mestre em teoria e história literária pela Unicamp, mestre em literatura europeia e doutora em letras modernas pela Universidade de Oxford. Sua pesquisa tem foco na relação entre os processos criativos de um texto, seu gênero e meios de publicação, e na circulação de ideias entre a Europa e o Brasil através da imprensa. Publicou livros, artigos, capítulos de livros sobre literatura brasileira, tradução, moda e imprensa, entre os quais Machado de Assis: Do Folhetim ao Livro (2015), “The Elegy of Dom Casmurro” (2018), “Esaú e Jacob e Memorial de Ayres: Manuscritos que Viajam” (2019) e “A Moda Enquanto Espaço da Escrita para Júlia Lopes de Almeida” (2024). É editora da Coleção “As Mulheres no Jornal O Paiz” (Editora da FE-Unicamp) e da Série “Literature and Translation” (UCL Press).
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