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A Genealogia e os Modelos de Diáspora Africana
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A despeito da recente e vertiginosa popularização do conceito de diáspora africana no contexto nacional, raramente encontramos nas produções acadêmicas brasileiras, alguma indicação ou delimitação acerca dos diferentes modelos, perspectivas teóricos e enfoques metodológico que constituem o amplo campo de Estudos da Diáspora Africana. Não estão no horizonte dos leitores brasileiros, por exemplo, a história do conceito, seu contexto de emergência e as fronteiras disciplinares canônicas por ele desestabilizadas. As dimensões globais da diáspora africana, a profusão cada vez maior, em escala, escopo e estrutura de estudos no interior deste vasto campo, que, em última análise, é o próprio planeta, também não os são familiares. Por fim, escapa a ampla maioria dos nossos estudiosos o lugar central que os povos, tradições e culturas de origem têm ocupado em profundos debates epistemológicos no interior das ciências humanas contemporaneamente. As rotas e raízes desses debates não nos são inteligíveis dado a falta de parâmetros e da ausência de um conjunto sistemático de discussões acerca do conceito de diáspora africana no contexto nacional. Foi ante a esse contexto e com o objetivo de lidar com essa incontornável lacuna que vim a realizar a pesquisa que ganha forma neste livro: Através do Atlântico: a genealogia e os modelos de diáspora africana. A pesquisa, que percorreu o pensamento de intelectuais cruciais política cultural no mundo Atlântico (África, Caribe, Brasil, América do Norte e Grã-Bretanha) prestou-se a realizar, entre outros objetivos, a seguinte tarefa. Elaborar a história do conceito de “diáspora africana”, a qual comportou-se como uma sistematização possível a fim de mapear os seus diferentes modelos e enfoques, delimitando as circunstâncias em meio às quais ganharam forma. Tal movimento, a uma só tempo, descreve as fronteiras entre as perspectivas teóricas que distinguem as diferentes concepções de “diáspora africana” e analisa o modo como os deslocamentos históricos e paradigmáticos na teoria social (especialmente aqueles preocupados em pensar as diferenças humanas — “raça” e cultura) influenciaram as suas conformações.
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