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O livro Assistência social, educação e governamentalidade neoliberal lança um olhar nada convencional para a forma como as políticas de assistência social articulam-se com a educação na contemporaneidade, analisando suas implicações na e sobre a escola. A partir de uma vertente pós-estruturalista, principalmente das contribuições de Michel Foucault, a autora problematiza o viés benevolente e acolhedor que povoa boa parte das discussões acerca das políticas sociais contemporâneas. Propõe pensar tais políticas como práticas inclusivas operacionalizadas no interior de uma racionalidade neoliberal que governa todas as camadas da população brasileira, por meio da garantia de espaços de participação no mercado e da sua inclusão nas redes de consumo/competição. A primeira parte do livro discute o contexto contemporâneo, argumentando que, com a emergência do neoliberalismo brasileiro e a correlata constituição da inclusão como imperativo de Estado, podemos assistir à proliferação das Políticas de Assistência Social no Brasil. Tal proliferação aparece associada a um fenômeno de obsessão contemporânea pela educação, que pode ser denominado educacionalização do social. Esse fenômeno ocorre quando a educação é convocada, incessantemente, como instância de solução de uma variedade de problemas sociais, o que produz uma redefinição das funções da escola pública na atualidade. A segunda parte do livro lança um olhar genealógico para a história, objetivando compreender a proveniência e as condições de emergência das Políticas de Assistência Social no Brasil. Destacam-se práticas assistenciais vinculadas às ordens religiosas e à caridade cristã, desenvolvidas até meados do século XIX; passa-se pela estruturação da Assistência Social como uma política do Estado brasileiro, na década de 1930, e chega-se ao surgimento das políticas de transferência de renda condicionada, que proliferam pelo País, no momento da emergência da racionalidade neoliberal. Enfim, as discussões efetivadas neste livro tratam de compreender a forma como a educação escolarizada é utilizada pelas políticas de assistência social como um instrumento eficaz para operar sobre a conduta dos sujeitos, gerenciando os riscos produzidos pela exclusão social numa tentativa de garantir a seguridade da população. Um livro destinado a assistentes sociais, professores e pesquisadores que ousam borrar as fronteiras disciplinares dos seus conhecidos campos de atuação.
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