Literatura africana contemporânea: vozes que o mundo precisa ouvir
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Por meio da memória, Natalia Ginzburg se aproxima das cores e dos sons da sua infância e juventude. Escrito enquanto vivia em Londres e publicado em 1961, a lembrança aqui é o motor de um romance repleto de solidões, encontros e despedidas. “Em Ginzburg, a poesia surge de uma prosa nua e devastada.” — Eugenio Montale “ As vozes da noite se constrói recolhendo algumas das palavras caídas ao longo da estrada, o fraseado, a cadência, o voo ainda audível, porque ficou um vestígio no ar das palavras que foram ditas, trocadas, pronunciadas, enquanto a vida corria.” — Cesare Garboli As vozes da noite é narrado por Elsa, a tímida jovem que, para contar a sua história, apresenta antes, um a um, os membros da família, que é a verdadeira protagonista deste romance. Percorrendo os anos do fascismo e da guerra, avançando e voltando no tempo, até chegar ao pós-guerra, ela narra os personagens isoladamente para em seguida colocá-los em cena juntos, e assim mostrar como se comportam diante dos outros. As histórias individuais se entrelaçam ao pano de fundo do período, uma espécie de atmosfera compartilhada, que interfere no modo como cada um deles pode “descobrir a realidade”. Publicado em 1961, o livro abre a década em que chegarão aos leitores algumas das principais obras de Ginzburg como Léxico familiar e As pequenas virtudes . Construído com simplicidade e uma nota de ironia, As vozes da noite é um romance em que o encontro com aquilo que falta aos sonhos é vivido sempre com algo da ordem de um estupor melancólico. O assombro de descobrir a realidade, frente à fantasia, é parte do modo como Ginzburg conta uma história: uma curiosa mescla da graça e do peso da existência.
NATALIA GINZBURG nasceu em 1916, em Palermo, mas cresceu em Turim, num ambiente fortemente antifascista. Seu primeiro marido, Leone Ginzburg, com quem teve três filhos, integrou a Resistência e foi assassinado pelos ocupantes nazistas em 1944. Nome central da literatura italiana do século XX, Natalia trabalhou na editora Einaudi ao lado de Cesare Pavese e Italo Calvino. Escreveu contos, romances, ensaios e peças de teatro. É autora de As pequenas virtudes (1962), Léxico familiar (1963), Caro Michele (1973), entre outros, todos publicados pela Companhia das Letras. Morreu em Roma, em 1991.
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