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Literatura Brasileira

As Visitas Que Hoje Estamos

1ª Edição - 2012448 páginasIluminuraspt
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Sinopse

A imagem de uma orelha descomunal bem poderia ser o emblema deste livro. De fato, ele parece ser o resultado de um ouvido absoluto para as vozes deste mundo e, de certo modo, até do outro. O partido compositivo – tão próprio aos impasses da modernidade – de revolver nas falas mesmas a realidade social e histórica que se deposita, como sedimento, na linguagem vai, aqui, a sua potência máxima.       O livro é, assim, o lugar no qual, como em ondas de linguagem, essas vozes todas, múrmuras ou veementes, vêm quebrar. O rumor que então se levanta, engrossado do eco de tantas falas, emanadas de tantas vidas, faz sua atmosfera e clama aos céus por um sentido. Em vão, que o céu está vazio. Em um gesto de infinita piedade, o livro recolhe o imenso vozerio e seu clamor, porém não mais pode resgatá-los nem lhes dar um destino: com uma ironia dolorida e isenta de malignidade, pode apenas endereçá-los aos “Santos Anônimos”, patronos de uma inacreditável capelinha, cuja imagem verídica o leitor – ele também um “Santo Anônimo” – encontrará ao lê-lo.       Verificamos, então, que esse livro tão difícil de se classificar pertence, afinal, à grande família do romance, que, como se sabe, abriga a busca decepcionada de todos os desamparados do sentido, os exilados da pátria transcendental. Um romance-limite, no entanto, porque as falas de que é tecido ameaçam formar grupos temáticos e tramas subjacentes, ao mesmo tempo que se esgarçam em todas as direções. Ficamos pensando se é um romance em formação ou em decomposição, para logo descobrirmos que é um romance que se faz desaparecendo, ou que se forma suprimindo-se – linhagem tão central quanto ignorada nas letras brasileiras.       Essa estrutura paradoxal, de si tão abstrata, que tem na morte seu ponto de fuga, acolhe aqui, entretanto, a exalação de um mundo bem determinado – o da grande comarca interiorana (caipira, melhor se diria), que se estende por São Paulo, Minas, Goiás, pedaços do Mato Grosso e do Paraná. Suplantado por um mundo que, pior que ele, não o redimiu nem transcendeu, esse dificultoso mundo caipira, meio rural, meio urbano, às vezes no limite do surreal, encontra-se agora em vias de desaparição. Em as visitas que hoje estamos, tudo o indica, ele dá o seu último suspiro.   José Antonio Pasta

Sobre Antonio

Nasceu na cidade de Mococa, em São Paulo e é graduado em letras pela Universidade de São Paulo, onde também cursou a pós-graduação. Na década de 1990, abandonou a academia e foi morar em Arceburgo, Minas Gerais. Publicou o livro de poemas peixe e míngua, pela Nankin Editorial, e outros textos em diversos jornais e revistas. Em 2012, seu primeiro romance, as visitas que hoje estamos, saiu pela Editora Iluminuras. Vários veículos e críticos literários, a partir de então, têm apontado o escritor como um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea. Sua estreia na literatura infantil se deu com o livro O amor pega feito um bocejo, da Companhia das Letrinhas.

Detalhes do livro

Título
As Visitas Que Hoje Estamos
Autor
Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira
Editora
Iluminuras
Ano
2026
Páginas
448 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788573213768
Edição
1ª Edição - 2012
Formato
Brochura

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