Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
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Construído a partir de fragmentos narrativos, vozes herdadas e silêncios transmitidos entre gerações, "As mãos das mulheres da minha família não eram destinadas à escrita", romance vencedor do Hamburger Literatur Preis 2025 na categoria "Livro do Ano", parte de uma constatação radical: para muitas mulheres, a escrita nunca foi um destino possível, mas um gesto interditado. Djabbarova transforma essa interdição em matéria literária, compondo uma narrativa em que o corpo se torna arquivo — de trabalho, violência, cuidado e resistência. Organizado a partir de diferentes partes do corpo, o romance articula memória familiar e experiência pessoal, incluindo o enfrentamento de uma doença que atravessa o texto como limite físico e ponto de inflexão da linguagem. Nesse percurso, o corpo feminino surge como território de normas e violências, mas também como espaço de resistência. A obra, acompanhada por dois ciclos poéticos, tensiona as fronteiras entre prosa e poesia e incorpora procedimentos que deslocam a linguagem para além do literário — como o uso de materiais técnicos ligados ao próprio corpo da narradora. A escrita emerge, assim, como ferramenta de confronto e metamorfose. Reconhecida como uma das vozes mais contundentes da literatura russa contemporânea, Djabbarova foi forçada a deixar a Rússia em 2024 após posicionar-se contra a guerra na Ucrânia e em defesa dos direitos LGBTQ+, vivendo atualmente na Alemanha. A publicação do romance no Brasil dá continuidade ao diálogo iniciado com Rus bala (Ars et Vita, 2024), que apresentou ao público brasileiro a poesia da autora.
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