Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Em 1938, quando o filósofo Étienne Souriau faz o inventário dos diferentes modos de existência que povoam o mundo, uma classe de seres retém particularmente sua atenção: a dos seres virtuais. Trata-se das potencialidades que acompanham cada existência: aquilo que ela poderia ser se... Não são meras possibilidades, já que os virtuais existem à sua maneira. O problema é que carecem de realidade, como se não houvesse lugar para eles no mundo real. Quem pretende fazer com que existam mais, que tenham “mais” realidade, é, além de criador, um advogado, pois luta pelo “direito” de existirem com mais intensidade, de ocuparem legitimamente um lugar neste mundo. Cada criação não seria uma defesa em favor das novas existências que cria? Não será este o problema de cada existência, na medida em que se percebe privada do direito de existir de tal e qual maneira? É a interrogação que percorre este livro, na interseção entre a existência, a arte e o direito.
David Lapoujade nasceu em Paris em 1964. É professor na Universidade Paris 1 (Panthéon-Sorbonne) e especialista em filosofia anglo-americana contemporânea. Em tradução brasileira publicou, pela n-1 edições: William James, a construção da experiência (sobre o empirismo e o pragmatismo), Potências do tempo (sobre Bergson) e Deleuze, os movimentos aberrantes (interpretação original da obra do filósofo, de quem foi aluno e amigo). Como organizador, foi responsável por três coletâneas póstumas de textos de Deleuze, A ilha deserta [Iluminuras, 2006], Dois regimes de loucos [Ed. 34, 2016] e Cartas e outros textos [n-1 edições, 2017].
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