Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Entre os compositores brasileiros da nova geração, Livio Tragtenberg é um nome que vem se impondo pela criatividade de sua linguagem artística e pela qualidade de seu discurso teórico-crítico. Engajado no projeto da vanguarda e de suas pesquisas mais avançadas, desenvolve combativa guerrilha estético-cultural e poético-musical. Procurando escapar aos ditames da articulação linear de um sistema, como foi a série para o dodecafonismo, e aos da não-linearidade como elemento constituinte da elaboração estrutural, isto é, da mera obra aberta, avança para o horizonte da arte do possível, sem a tutela de alguma paradigmática modelante ou sistemática impositiva, sejam elas vazias ou cheias, negativas ou positivas. Na verdade, é sob o signo de um dialogismo crítico, cujo organon está na própria prática da criação, que Livio Tragtenberg promove a sua campanha. Entre técnica e estética, entre indeterminação e determinação, entre forma aberta e fechada, entre sons acústicos e sintetizações sonoras, no limite destas contraposições e por sobre a sua suposta infranqueabilidade dicotômica, estabelece ele um espaço de invenção: o seu locus de criador. Aí, por captura e acoplagem de fragmentos das estilhaçadas pela modernidade e de elementos dos micro-sistemas assim liberados, opera a sua inter-relação e a sua composição-caos que, numa cena da origem, se recompõe em processo criativo, em work in progress. É evidente que numa tal ordem de trabalho as perguntas devam exceder às respostas. Sobretudo num espírito de artista que faz da razão crítica, da pesquisa e da análise, um dos motores de sua produção de arte. Mas é preciosamente isto que torna estes Artigos Musicais tão ricos de interesse, não só para a polêmica e o confronto teórico de ideias. Discussão pontual de temas e problemas da música contemporânea, são simultaneamente um diário de bordo e um manual de sobrevivência na selva, como o próprio autor os considera, de um criador embrenhado na aventura pessoal da invenção original. Aqui estão, pois, duas pautas de leitura que convertem esta coletânea de escritos em um livro a ser necessariamente percorrido pelo praticante, interessado ou estudioso da nova música no Brasil.
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