Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
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Na abertura de seu texto luminoso, Roberto Conduru coloca o leitor diante de um conjunto de questões perturbadoras, ao elencar interrogações em torno da definição do que vem a ser arte afrobrasileira. Depois, aborda muitas contribuições artísticas dos africanos sequestrados pelo tráfico e trazidos ao Brasil, ao longo de quatro séculos, e de seus descendentes, até hoje. O autor analisa a arte sacra, resgatada pela memória, pela oralidade, pelo fervor religioso, nos templos de candomblé, xangô, mina e batuque,que se irradiaram do Maranhão ao Rio Grande do Sul, e pelas elaborações dos terreiros de umbanda, uma religião “brasileira” por excelência. Nessa arte inspiraram-se artistas como Mestre Didi, Rubem Valentim, Abdias Nascimento, Emanoel Araújo e Carybé, entre tantos outros, cuja obra, prestigiosa e reconhecida, é analisada com grande originalidade. Roberto Conduru também se refere às representações da negritude sob o olhar etnocêntrico de artistas europeus, além de certa pintura histórica que apresenta uma visão falseada da condição do negro e de sua ativa luta pela liberdade. Seu texto se encerra mostrando como o imaginário religioso ainda é o ponto de conexão mais frequente de artistas com a cultura afrobrasileira, não se limitando, porém, a esse veio. A opressão sofrida pela mulher negra, a reafirmação da negritude, a transgressão, a revolta contra a censura e o racismo, são alguns dos temas expressos através de variadas linguagens artísticas. Questões que são esmiuçadas pelo autor, nesta que é uma das mais fecundas contribuições ao entendimento do que seja uma arte afro-brasileira.
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