Os melhores livros paradidáticos para o ensino médio
Uma seleção dos paradidáticos mais usados em escolas brasileiras, por disciplina, faixa etária e nível de leitura. Para professores que querem fazer o aluno querer ler o livro indicado.
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Arqueologia das dores é, antes de tudo, um livro plural. Partindo de uma narrativa fragmentada, a alternância de vozes muito bem construída nos permite acompanhar a história a partir da versão de cada um dos três narradores. Versão esta que não é pura, nem isenta, mas atravessada pelas dores e experiências desses personagens que resistem em se deixar classificar. “Não nos lembramos das mesmas coisas e detalhes, é claro. Cada um vê o mundo com seus próprios olhos, pensa com sua própria cabeça.” A frase anuncia o descompasso que permeia a obra. Enquanto Maria Lúcia insiste em abrir gavetas e cavar o passado, Beto resiste ao excesso de palavras. A participação de Lurdes, mãe e sogra, em um momento em que sua memória está em deterioração, mistura lembrança e delírio e transforma a escavação em urgência. O que cabe em tudo o que não foi dito? O silêncio aqui é abrigo e ameaça. A narrativa se desenrola em camadas, como se cada gesto revelasse um vestígio ainda não elaborado. Lia d’Assis conduz essa polifonia com firmeza, sem perder unidade. O texto é direto e intenso. Escava dores, mas também revela afetos e contradições. Um romance que convida o leitor a cavar junto, a ouvir o que foi calado e a percorrer essas camadas até o fim.
Lia d’Assis nasceu no interior de São Paulo no verão de 1979. É doutora em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora de literatura no Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Autora dos livros Uma canção desafinada de Luísa para Ravi (Patuá, 2023), Falso Infinito (Patuá, 2021) e Nem asas pelos ares (Urutau, 2017). Em 2025, foi contemplada pelo PROAC (Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo), para elaboração e publicação de seu primeiro romance, Arqueologia das Dores.
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