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Literatura Estrangeira

Ara

1ª Edição - 201680 páginasIluminuraspt
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Sinopse

Romance aqui (na escrita de Ana Luísa Amaral) é o empenho em vasculhar um gênero ficcional (seus tempos, suas personagens, seus lugares) que se ponha a expressar (com a propriedade que lhe couber nessa arriscada louça) a evidência de um mundo inominado e exíguo, fascinante: o da mulher – essa eterna questão de gênero. O que alarga o exercício de tal novelística para outros modos literários, conflitantes e afins: o verso, o teatro – o cinema de palavras? De maneira que todos os componentes dessa “ficção” se encontram (então) em estado de periclitância notável, visto que trabalham (amorosamente) em romance, no trânsito entre si e o alheio, para facultarem um idioma (um romanço?!) jamais praticado porque interdito, e outro – porque mudo. Cadê a matéria verbal para dar conta de nós, as mulheres? E, no entanto, dispomos apenas do mesmo e velho repertório de conjugações e pronomes simples (gramática, sintaxe, semântica, efeitos verbais, adjetivos, substantivos, interjectivos), do kit de uma tradição canonizada e estranha, para esculpir e rasgar, para parir a carne da nossa vida, a nossa letra própria. Para criar, na língua que usamos, um sentimento infalável. Sulcar essa matéria tão pisada, ará-la, lavrá-la, preparar-lhe outra cultura não é apenas um conforto explicativo ou uma lide botânica em que florescem camélias nos túneis das lembranças. O tempo corre, a escrita urge e faz-se um esforço maratonista para fabricá-la: alcançá-la antes que se esboroe. A língua de Ana Luísa é uma ocarina breve, um lume, uma pira acessa que aponta para o terceiro país (aquele onde nascem as japoneiras), o continente obscuro (dixit o dr. Freud) a minuciar. E daí que (sempre em grandes tornados) interrogue: afinal, o narrar tem dono?! Nela, tudo está em vez de, difusamente no avesso e em reverso, em hiato ambivalente, em entrelugar, em des-hibernação, em capicuas, em anagramas, em palíndromes. E isso é Ara: assentamento da antiga pedra do lar para uma nova casa comum e branda. Dela, se pode ver o mar travado, se podem ruir os longos penedos que oprimem, se podem ouvir os pios coloridos dos pássaros. Mas nada disso é arrimo. O esquema é inenarrável. Não há bolsas nem saltos (elegantes) de sentido. Nenhum recato entre folhas, caneta, caderno, mão, borracha, lápis, risco ou emendas em cima dessa mesa. Só o espanto produz a coisa de rasgar, o resto, a liga que lhes destrói a simetria. A jusante, a montante, num eclipse de lua, contra a fluência das águas (e sôbolos rios que vão), a língua de Ana Luísa Amaral falha contra o vento. Mas, ara! É só assim que se escreve!   Maria Lúcia Dal Farra

Sobre Ana

Ana Luísa Amaral (Lisboa, 5 de abril de 1956 – Porto, 5 de agosto de 2022) foi uma poetisa portuguesa, tradutora e professora de Literatura e Cultura Inglesa e Americana na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Detalhes do livro

Título
Ara
Autor
Ana LuíSa Amaral
Editora
Iluminuras
Ano
2026
Páginas
80 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788573214970
Edição
1ª Edição - 2016
Formato
Brochura

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