Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
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Uma obra literária excepcional do dramaturgo ganhador do Prêmio Pulitzer - uma proeza reunindo memória, mistério, vida e morte. Aqui de dentro, o romance evocativo e cortante de Sam Shepard, começa com um homem em sua casa ao amanhecer, cercado de álamos e coiotes uivando ao longe, enquanto percorre em silêncio a distância entre o presente e o passado. É tomado de lembranças, em ondas crescentes: vê-se mentalmente num trailer na locação de uma filmagem, o rosto de sua juventude refletido num espelho cercado de lâmpadas. Em seus sonhos e visões, vê o seu finado pai - às vezes em miniatura, às vezes pilotando aviões, às vezes na guerra. Vê sucessivamente a América desaparecida da sua infância - o sítio e as fazendas de engorda de gado, os pátios ferroviários e os restaurantes de estrada - e, presença que mais o persegue, a jovem namorada do pai, com a qual também se envolve, desencadeando uma tragédia que não o abandona mais. A sua complexidade interior se filtra em panoramas montanhosos e desérticos, enquanto percorre o país de carro, movido a jazz, benzedrina, rock and roll e uma inquietação nascida do exílio. O ritmo teatral, a linguagem poética e o humor áspero se combinam nessa impressionante reflexão sobre a natureza da experiência, ao mesmo tempo contemplativa, surreal, pungente e inesquecível.
Samuel Shepard Rogers III, conhecido pelo nome artístico de Sam Shepard, foi um ator, cineasta, escritor, roteirista e autor de teatro americano, com uma carreira de 54 anos. Foi o autor de 44 peças de teatro, livros de contos e ensaios e memórias. Recebeu o Prêmio Pulitzer de Teatro pela peça Buried Child.
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