Por que alunos que leem mais vão melhor em todas as matérias
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Fragmentos de uma MemóRia CríTica
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A cada página de sua estreia literária, Zulu Araújo nos convida a descortinar a sua trajetória ímpar, marcada, desde o início, pela busca da própria subsistência e da autonomia de pensamento. Batizado no mar da Baía de Todos-os-Santos, o cria de dona Perolina e de seu Eutímio teve de erguer o punho para se tornar protagonista de uma cidade secular encoberta por palimpsestos. (...) Detentor da energia vital impulsionada pelo movimento, o arquiteto, filho de Oxóssi [o caçador das matas que não erra o alvo com sua única flecha], soube esquivar-se das armadilhas sociais praticando a arte da esgrima verbal. E, descalço, colocou os pés em África para mergulhar nas origens atávicas da sua valentia e do seu inconformismo. Do Unhão à Chez Menezes, passando do Severino Vieira ao Partidão; do Olodum ao doutorado pela Universidade Federal da Bahia, conduzindo a Palmares e a Pedro Calmon, Zulu manteve incólume o seu olhar atrevido: confrontou as estruturas forjadas na Velha Bahia e desmascarou racistas de fino trato que atravessaram o seu caminho.
Zulu Araújo nasceu em Salvador, é formado em Arquitetura, mestre em Cultura e Sociedade e Doutor em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Bahia. Com vasta experiência em produção e gestão cultural, entre 2015 e 2023 foi Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon. Atuou por dez anos como diretor e conselheiro do Grupo Cultural Olodum, quando viu nascer o Bando de Teatro Olodum. Em 2003, foi diretor de Promoção, Intercâmbio e Divulgação de Cultura Afro-brasileira da Fundação Palmares e, em 2007, o então ministro Gilberto Gil, o indicou para presidir a instituição até 2011. Ocupou também a direção da Casa da Cultura da América Latina e a Coordenação Geral do Festival Latino-americano e Africano de Arte e Cultura, em 2012. Assessor especial da Fundação Cultural do Estado da Bahia, além de atuar como coordenador-geral na celebração dos 300 anos de Zumbi dos Palmares, Zulu foi diretor do Departamento de Intercâmbio e Ações Regionalizadas da Secretaria de Cultura da Bahia e chefe do Comissariado da Delegação Brasileira do Terceiro Festival Mundial de Artes Negras em Dakar, Senegal.
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