Como recomendar livros para amigos sem arruinar a amizade
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“Ser rotulado é começar a morrer artisticamente” — essa afirmação do poeta Sebastião Nunes, em entrevista a Fabrício Marques em 2008, é uma ótima divisa para a obra de uma vida inteira que se mostra nas páginas de Antologia mamaluca . De fato, seus poemas ocupam um lugar único, não se dobram a qualquer rótulo e expressam uma vitalidade criativa — e não menos combativa — que se mantém intensa até os dias atuais. Não há dúvida de que estamos diante de um poeta, mas o que ele exige vai bem além da leitura. Como afirma Ademir Assunção na orelha do livro, a obra de Nunes se caracteriza por uma “inusitada engenharia de texto, fotomontagem, tipografia, cartum e distorção gráfica que utiliza para fustigar sem dó, e com humor implacável, a idiotia humana expressa em convenções sociais, políticas e até mesmo literárias”. Desde os anos 1960, é essa engenharia mamaluca , ácida e sarcástica, que tanto choca quanto cativa leitores das mais diferentes gerações. Na sua obra poética, mas também ficcional e ensaística, além do trabalho como editor da Dubolso, Sebastião Nunes sempre esteve atento e inconformado, captando e denunciando a tragicomédia de nosso tempo. Organizada pelo poeta Fabrício Marques, esta edição da Antologia mamaluca reúne mais de uma centena de trabalhos do poeta, retirados dos livros Última carta da América (1968), A Cidade de Deus (1970), Finis Operis (1973), Zovos (1977), O suicídio do ator (1978), Serenata em B menor (1979), A velhice do poeta marginal (1983), Papéis higiênicos (1985), Poesias (1988) e Aurea Mediocritas (1989).
Sebastião Nunes nasceu em Bocaiúva (MG), em 1938, e vive em Belo Horizonte. Estudou publicidade e direito, e trabalhou como tipógrafo e fotógrafo. É autor de diversos livros de poesia, ficção experimental, ensaio e infantojuvenil, em grande parte publicados pela sua editora, a Dubolso, fundada em 1980. Em 2018, recebeu o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura. Desde 2023, é membro da Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha.
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