Como ler mais livros: 10 hábitos dos leitores que devoram 50 livros por ano
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Bruna, em seu livro de estreia, Poetiquase, assume no poema Catarse da Sobrevivência a máxima poundiana do artista como antena da raça. De modo que trazer a materialidade do “corpo” neste seu segundo livro, com a sexualidade nomeada, vai além de uma atitude que revisita temáticas consideradas “malditas”. É antes um posicionamento, pela via da poesia, que capta questões emergentes e ainda cercadas por interditos. A poeta provoca e conduz o leitor por uma semântica explícita, mas o faz trazendo a experiência física do corpo como força atuante no organismo da escrita. A própria poesia é o anticorpo, que escapa das convenções e encara o que se apresenta, muitas vezes, como algo incômodo. Tratando de temas como gozo, menstruação, masturbação, desejo, fetiche e sexo explícito, a poesia de Bruna constrói o espaço de um corpus poético específico, costurando o limiar entre o erótico e o obsceno, o feminino e o masculino, ao mesmo tempo em que se confirma como resistência à opressão. E nesse movimento, a poeta tira tudo: a segunda pele. Grilhões. Para ela, um corpo/ se escreve/ por debaixo/ da pele. A poesia direta de Bruna entrega um texto sem véus, consonante com o olhar do presente, de um mundo que se despedaça e cujos fragmentos remontam o corpo desnudado, nas duas partes que compõem o livro, cindido da “cintura para cima” e da “cintura para baixo”. Nos tempos obscuros em que vivemos, podemos atualizar a afirmativa de Henry Miller: “falar de obscenidade é quase tão difícil quanto falar de Deus”. Mas, afinal, “o que é obsceno?” Essa questão, na voz de Hilda Hilst (forte influência na poética de Bruna) se coloca em termos amplos: “obsceno é a miséria, a fome, a crueldade, nossa época é obscena”.Paralelo inequívoco com o nosso tempo, ANTICORPO transita por uma imagética forte, com poemas que rasgam camisas de força. A linguagem de Bruna não é dócil, nem rasteira. Com audácia, percorre a metáfora do corpo sem medo de arriscar. E, sob o signo da ironia, esta jovem poeta coloca “à disposição do leitor” um corpo assenhorado de si, para ser olhado/lido em sua multiplicidade e fragmentação. Um corpo que se move na contemporaneidade e se reafirma pela linguagem poética. THAIS GUIMARÃES
Outros livros de Bruna Kalil Othero
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
A paralisia da escolha atinge todo leitor. Com mais de um milhão de livros publicados por ano, como decidir o próximo? Veja estratégias práticas para escolher bem e rápido.
Você começa a ler com entusiasmo e para depois de uma semana. Conheça a ciência por trás da formação de hábitos e as estratégias práticas para finalmente fazer a leitura grudar.
Para escolas, universidades, autores e editoras