Literatura brasileira: os clássicos que todo leitor deveria conhecer
A literatura brasileira produziu obras extraordinárias que dialogam com o melhor da literatura mundial. Um guia pelos clássicos essenciais, do Romantismo ao Modernismo.
Sumicais
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
“Aquilo a que chamamos rosa, com outro nome, teria o mesmo perfume encantador.” William Shakespeare Shakespeare toma o nome da rosa para exaltar a essência das coisas substantivas. O que há em um nome?, indaga Julieta. E o que há neste livro, senão aquilo que transcende a tessitura dos signos revelada na subjetividade sublime do traço concreto? Na cultura inaugural do Oriente, o traço é o princípio da consciência: um yang que se desdobra em yin na origem do céu e da terra e cultiva toda a realidade pulsante. Aqui, Rosa Cohen exerce a habilidade da captura do espírito, da essência que permeia um universo de significados. Seu instrumento é a arte fugaz do sumiê, que teve origem na dinastia Tang na China, antes de migrar para o Japão através dos discípulos de Sidarta Gautama. Seu ponto de partida é o exercício gestual que guarda o mesmo anseio milenar dos artistas atemporais, e nele Rosa traduz-se na expressão de sua própria existência, capaz de sequestrar do contraste entre tinta e papel o perfume das almas femininas que a todos habitam – anima é isso – espírito necessário que capta a relação fundamental entre a ‘origem do mundo’, conforme Courbet, e de tudo o que coloca o humano em marcha: um giro de 180 graus e a vulva volante torna-se homem. Eis a tessitura deste livro, que como semente espalha-se no campo dos Campos, onde a pá-lavra e faz florescer vinhas e espinhas. Na graça expressa, na dobra da espinha do ideograma mulher, a vulva livre voa no ápice, no cume de Cummings, talvez. No cair da folha (uma pétala da rosa) que dança no ar espalhando o panorama e o sabor do doce deleite do ver-leitura de todo o texto – tecido alquímico. É o ballet do signo que se transforma no ideograma ‘pessoa’ e finge a dor que deveras sente aquele que baila nos sertões e veredas d'alma de outros Rosas: Guimarães e Cohen, sussurrando assim uma semiose infinita. Ver-ler esta obra é quase um revelar ao contrário, um mergulho recôndito, descoberta íntima. Bandeira branca que apla
Rosa Cohen é escritora, artista visual e pesquisadora. Tem formação em Arquitetura e especialização pela FAU-USP e pela Escola de Barcelona, é mestre em Letras, doutora e pós-doutora em Artes e Cinema, respectivamente pela ECA-USP e UNICAMP. Tem publicados os livros: Motivações Pictóricas e Multimediais na Obra de Peter Greenaway (Ferrari Editora, 2008); Memorial Onírico (Edição da autora, 2019); Cidades Dobradas, Memórias de meus dias (Haikai Editora, 2021) e O Livro de Juan Urbano, filho de Átena com um Lugar (Haikai Editora, 2023).
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
A literatura brasileira produziu obras extraordinárias que dialogam com o melhor da literatura mundial. Um guia pelos clássicos essenciais, do Romantismo ao Modernismo.
Em um mundo de algoritmos e vídeos infinitos, criar um filho leitor parece missão impossível. Mas há estratégias simples e comprovadas para fazer os livros competirem, e ganharem.
Do manifesto clássico ao ensaio contemporâneo, o feminismo tem uma biblioteca vasta e acessível. Uma seleção para quem quer entender o movimento que transformou o mundo.
Para escolas, universidades, autores e editoras