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Em Anatomia da crítica, Northrop Frye deseja revelar a possibilidade de uma visão ampla e unificadora da literatura. Nascida de suas palestras em Princeton, em 1954, esta obra encarna o sentido mais pleno de “ensaio”: uma tentativa ousada de compreender os princípios, alcances e técnicas que estruturam o trabalho crítico. Seu propósito central é mostrar que a crítica possui uma lógica interna, uma estrutura conceitual própria, capaz de coordenar a imensa variedade de formas literárias. A literatura, para Frye, forma um sistema coerente de imagens e ideias; é tão progressivo quanto qualquer ciência. Assim, ao crítico não caberia perguntar “para que serve a literatura?”, mas “o que decorre de ser ela possível?”. Cabe-lhe desvendar os padrões recorrentes que atravessam modos, símbolos, mitos e gêneros e conferir unidade e universalidade a essa tradição cultural. Reconhecer esse sistema é entender o poder libertador da arte, que expande a imaginação humana em face à realidade. Sem uma teoria abrangente, também adverte Frye, a crítica se dispersa e se acomoda às disciplinas vizinhas; mas uma estrutura unificada poderia fornecer as bases de uma ciência do crítico público, oferecendo à disciplina a coerência tão almejada. Publicado em 1957, Anatomia da crítica permanece uma das obras fundamentais da teoria literária: um gesto intelectual luminoso que afirma a imaginação como força de compreensão e liberdade.
Northrop Frye (1912–1991) é considerado um dos mais aclamados e in-fluentes críticos literários do século XX, tendo-se dedicado ao estudo da cultura e literatura ocidentais, com particular atenção aos mitos e estudos bíblicos. Nascido no Quebec, Canadá, graduou-se em Filosofia e Teologia na Universidade de Toronto e, mais tarde, foi ordenado na Igreja Unida do Canadá, maior denominação protestante do país. Após o mestrado em Oxford, retornou à Uni-versidade de Toronto, onde lecionou pelo resto da vida. Foi professor em Harvard e membro honorário da Academia Britânica, da Academia Americana de Artes e Ciências, e da Sociedade Filosófica Americana. Escreveu mais de trinta obras, dentre as quais se destacam O grande código, O poder das palavras, Anatomia da crítica, A imaginação educada, Fearful Symmetry e The Double Vision.
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