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Literatura Estrangeira

Ana Flor da Água da Terra

1ª Edição - 202164 páginasIluminuraspt
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Sinopse

Ana Flor da Água da Terra, primeiro livro da poeta Heloiza Abdalla, conta em 37 poemas a narrativa de uma mulher em sua travessia com o tempo. Uma mulher busca silêncio, e em princípio teme, é perseguida por ele. Ana Flor vive partida, dor que traz o si. Numa dança muda, a crescente despedida. Na teia de saberes, saber nenhum, o percurso (osso), o mar.     ”... se começou a ser escrito aos dezoito anos da autora, sua escrita, que se desdobra até os vinte e cinco, é uma concentrada elaboração da intimidade com os vazios, os tecidos e os desvãos que habitam as palavras. (...) O livro é feito de discretos motivos reverberantes, à maneira de um rarefeito romance íntimo do qual os fatos estão subtraídos, para que fique a nervura fina dos acontecimentos, os fatos instantes que apenas instam, urgem, insistem, perguntam."  José Miguel Wisnik     Heloiza é poeta e psicanalista. Formada em Ciências Sociais pela Unicamp, e no Centro de Estudos Psicanalíticos, dedica-se à pesquisa e à clínica.      A poesia é o pacto do que se diz com o que não se diz. Ana Flor da Água da Terra, de Heloiza Abdalla, conhece bem essa aliança com o silêncio, que pratica. O título do livro pode soar vagamente como o de uma obra adolescente de efusão pela natureza. Mas, se começou a ser escrito aos dezoito anos da autora, sua escrita, que se desdobra até os 25, é uma concentrada elaboração da intimidade com os vazios, os tecidos e os desvãos que habitam as palavras, quando nomeiam as coisas, sempre voláteis.   Entre palavras e coisas, palpáveis ou impalpáveis, resta um halo sem nome, que normalmente se perde na conversa geral, seja na conversa dura que empedra os sentidos, na conversa mole que os dilui, na conversa jogada fora no ralo da consumição cotidiana. A poesia, diferentemente disso, é uma conversa fiada que afiança, que confia no fio invisível que liga as palavras, como “a flor/ confia// fia// não acelera/ não atrasa// o tempo/ habita”.   O poema que acabo de citar se chama “Princípio”, e é o último do livro. O “princípio”, que está no fim, é também o fundamento, o princípio ativo da flor, da poesia em seu hábitat exato no tempo. No corpo do livro, os sinais silenciosos dizem, como o jogo elíptico entre o título e os versos, as entrelinhas e os espaçamentos, a inversão sintática que deixa frouxa a definição de sujeito e objeto (“o tempo/ habita”), assim como em outros poemas a polifonia sutil das dicções, travessões, aspas, vazios.   Já no primeiro poema do livro (“Uma flor tem marca/ borboleta manchada// Um ser amor-amor voa crucificado/ o vento contorna uma árvore// água// sonha em ser livre como ela”), as propriedades da flor se transmutam em borboleta e em voejante “ser amor-amor”. Flor, borboleta e o ser em voo do amor carregam, por mais leves que sejam, a marca, a mancha e a cruz: cifras do inelutável, da dor secreta do existir. Não obstante, destituídas de peso, logo se transmutam em vento, sumindo em fuga na curva da árvore e deixando para trás um lago de água ideal em si. O sujeito da última frase, que “sonha em ser livre como ela”, é, ao que tudo indica, o título do poema: “Ana Flor da Água da Terra”.   Como no “encaixe de peças” de um “jogo quieto”, dor e ferida estão prestes a irromper e a retornar a seu lugar emudecido (“Quiron”, “Montanha”, “Passagem”), água e areia prestes a se acomodarem, mestras do repouso e do movimento, pastoras do caos (“Areia”, “Crisálida”), o amor se tece em teares do cheio e do vazio (“Crochê da dança”, “Linhaluz”, “Amor”), quando não prorrompe em seus dramas (“Eu e Carlos”), refratados na superfície dura do espelho sem casca (“Chegaram espelhos”). No arco da flecha armada em tensão sutil (“Arco”), aponta-se, ou apronta-se, um parto em que parir é partir.   O livro é feito de discretos motivos reverberantes, à maneira de um rarefeito romance íntimo do qual os fatos estão subtraídos, para que fique a nervura fina dos acontecimentos, os fatos instantes que apenas instam, urgem, insistem, perguntam.  Melhor é parar por aqui, e não recobrir de mais palavras essa poesia fiel aos silêncios da poesia, que se desnuda — serpente de pedra — de palavras a descobrir. José Miguel Wisnik

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Sobre Heloiza

Heloiza é poeta e psicanalista. Formada em Ciências Sociais pela Unicamp, e no Centro de Estudos Psicanalíticos, dedica-se à pesquisa e à clínica.

Detalhes do livro

Título
Ana Flor da Água da Terra
Autor
Heloiza Abdalla
Editora
Iluminuras
Ano
2021
Páginas
64 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788573214963
Edição
1ª Edição - 2021
Formato
Brochura

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