Como ler clássicos da literatura sem sofrer
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Novas Maneiras de Entender o Luto e a Melancolia
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Atualmente milhares de pessoas no mundo ocidental, e cada vez mais em outras partes, utilizam medicamentos antidepressivos para amenizar as próprias angústia, tristeza ou melancolia. A medicina usada para diminuir ou curar as dores inerentes à existência humana vem sendo tão banalizada quanto o termo depressão, empregado tão ampla e descuidadamente que age como uma barreira para a exploração dos detalhes de nossas respostas ao luto e à melancolia. Em Além da depressão – novas maneiras de entender o luto e a melancolia, Darian Leader, psicanalista e fundador do Centre for Freudian Analysis and Research, em Londres, explica que os antidepressivos funcionam, cada vez mais, como um espelho para a doença, já que a vida interior do sofredor está deixando de ser examinada, priorizando-se as soluções medicamentosas. Seguir as instruções para tomar remédios passa a ser mais importante do que examinar as relações reais da pessoa com os comprimidos. Dessa forma, defende Leader, a depressão é concebida como um problema biológico, assim como uma infecção bacteriana, que requer uma remédio biológico especifico. Os sofredores precisam retornar a seus estados produtivos e felizes. Passou a ser mais importante eliminar o problema, em vez de entende-lo. A depressão é considerada o resultado de uma falta de serotonina, ao invés de uma resposta às experiências de perda e separação. Os medicamentos objetivam devolver ao sofredor os níveis ótimos de integração e utilidade sociais, sem muita preocupação com as causas de longo prazo e com os possíveis efeitos de seus problemas psicológicos.Darian Leader, também autor de Pé de página para Freud e Por que as pessoas ficam doentes?, defende neste livro a necessidade de abandonar o conceito de depressão atualmente apresentado: “Em vez disso, devemos ver o que estamos chamando de depressão como um conjunto de sintomas que derivam de histórias humanas complexas e sempre diferentes. Essas histórias envolvem experiências de separação e perda, ainda que, algumas vezes, não as percebamos. Para entendermos como respondemos a tais experiências, precisamos das ferramentas conceituais adequadas, e essas, acredito, podem ser encontradas nas velhas noções de luto e melancolia.”Por meio de uma releitura do clássico ensaio de Freud “Luto e melancolia”, somada a ricos exemplos da cultura contemporânea, Leader provoca uma importante reflexão sobre a atual banalização do termo depressão, usado de forma vaga para tratar de uma gama de estados. Para o autor, luto e melancolia são conceitos mais precisos que podem ajudar a esclarecer como lidamos – ou fracassamos ao lidar – com as perdas, que fazem parte da vida humana.
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