Como criar (e manter) o hábito de leitura de uma vez por todas
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AKUNTSÚ – Depois do fim é um livro-reportagem sobre uma das histórias mais perturbadoras da formação recente do Brasil: o quase extermínio de um povo indígena e sua luta para continuar existindo em meio ao avanço violento da fronteira econômica sobre a Amazônia. A obra reconstrói, ao longo de três décadas, a trajetória dos Akuntsú — um dos menores povos indígenas do planeta, contatados apenas em 1995 no Vale do rio Omerê, em Rondônia. Perseguidos por madeireiros, fazendeiros e jagunços, foram r eduzidos a um grupo mínimo de sobreviventes, carregando as marcas de massacres, deslocamentos forçados e da destruição sistemática de seu território. Mais do que um registro histórico, o livro se constrói como uma investigação profunda sobre o encon tro entre mundos que operam sob lógicas distintas de existência. Ao acompanhar o primeiro contato, as tentativas de aproximação e os anos seguintes de convivência, a narrativa revela não apenas o estranhamento entre indígenas e não indígenas, mas tam bém os limites do olhar ocidental diante de outras formas de perceber, interpretar e habitar o mundo. Com texto do jornalista KaíkeNanne e fotografias de Valdemir Cunha — fruto de uma relação construída ao longo de décadas —, a obra articula reporta gem, memória e pensamento antropológico. A fotografia, longe de funcionar apenas como registro, tensiona a própria ideia de representação: o que significa ver, reconhecer e existir quando a imagem não é compreendida como espelho do real? Ao longo do livro, a história dos Akuntsú se revela também como uma reflexão sobre o tempo, o desaparecimento e a permanência. Entre mortes sucessivas, reorganizações familiares e transformações inevitáveis, a etnia segue existindo em estado limite. Nesse conte xto, o nascimento de uma criança — em um povo à beira do desaparecimento — adquire uma dimensão que ultrapassa o biológico: torna-se um gesto simbólico de continuidade, uma afirmação de vida diante de um processo histórico que insiste em apagá-la.
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