Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
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Água doce, de Akwaeke Emezi, é um livro como nenhum outro. Com uma linguagem crua e física, narrada majoritariamente na primeira pessoa do plural – Nós –, a obra renega a possibilidade de um “eu” único e uniforme, celebrando e advertindo sobre a vida em espaços liminares. Ada sempre foi estranha. Quando criança, vivendo no sul da Nigéria, a família se preocupa com ela e não a entendem. Enquanto Ada ainda estava no ventre, o pai rezou por uma filha, e Ala, a deus-píton, ouviu; mas algo deu errado: talvez os deuses tenham esquecido de fechar os portões, pois Ada nasceu com diversos seres dentro de si. Quando ela vai para os Estados Unidos para a universidade, um evento traumático acaba sendo o catalizador que transforma seus muitos “eus” em algo mais forte. Ada é ?gbanje – ela é vários, e apenas um. Os muitos espíritos que vivem dentro dela nunca se consolidam, mas, depois de quase (quase?) enlouquecer, Ada aprende a tomar a frente e controlá-los. Seu corpo transforma-se junto com sua mente, adequando a materialidade ao que os ?gbanje são: sem gênero, sem extremos, sempre liminares. Água doce narra uma jornada de autoconhecimento, crescimento e aceitação, da filha de um deus jogada no mundo com um pé ainda do outro lado.
Nasceu em Umuahia, mas cresceu em Aba, na Nigéria. Em 2017, recebeu uma bolsa do Global Arts Fund para realizar a videoarte de seu projeto The Unblinding, e uma bolsa Sozopol Fellowship for Creative Nonfiction. Os textos de Akwaeke foram publicados pela T Magazine, Dazed Magazine, The Cut, Buzzfeed, Granta Online, Vogue.com, e Commonwealth Writers, entre outros. Suas escritas de memórias (Who Will Claim You?) foram incluídas na “Best Culture Writing of 2015” da The Fader, e seu curta experimental UDUDEAGU ganhou o Audience Award for Best Short Experimental no BlackStar Film Festival de 2014. Seu conto Who Is Like God ganhou o Commonwealth Short Story Prize for Africa de 2017. Akwaeke está entre os homenageados da National Book Foundation '5 Under 35' de 2018. Seu romance autobiográfico de estreia, Freshwater, é finalista para o First Novel Prize da Center for Fiction e foi pré-finalista do Aspen Words Literary Prize. Traduzido para seis línguas, Freshwater é um dos 100 Notable Books de 2018 do jornal New York Times, e foi pré-finalista do Carnegie Medal of Excellence e do The Brooklyn Public Library Literary Prize. Também foi Escolha do Editor do New York Times Book Review. Recebeu resenhas elogiosas do New York Times, Wall Street Journal, New Yorker, Guardian, e LA Times, entre outros. Freshwater é finalista do “Women’s Prize for Fiction” de 2019, um dos prêmios literários de maior prestígio do Reino Unido.
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