Como criar sua estante virtual de livros (e por que você deveria ter uma)
Uma estante virtual organiza tudo que você leu, está lendo e quer ler. Veja como montar a sua e quais os benefícios de ter um registro digital das suas leituras.
PoéTicas de Processo
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Fruto de quinze anos de gestação, Água brusca recusa classificações estáticas, situando-se na fratura entre criação literária, ensaio crítico e documentação de artes visuais. Publicado pela WMF Martins Fontes, o livro investiga as tensões entre a ferida colonial e a ancestralidade diaspórica a partir de uma proposição conceitual que o distingue: a autofagia como método — não a devoração do outro, mas o consumo de si e das próprias referências como condição para que novas formas emerjam. A obra percorre territórios de simbolismo denso, como o Raso da Catarina e as ruínas de Canudos, tratando a história como "matéria ignífuga" — aquela que resiste ao fogo e ao esquecimento, mineralizando-se na linguagem. Por meio de uma tríade de personagens míticos (Ìyá, Cândido e Kékeré) e de soluções formais radicais — entre elas a voz coletiva de uma colônia de cupins que narra sua própria erosão —, Caetano Dias estabelece um diálogo tenso com o cânone brasileiro. De Euclides da Cunha a Guimarães Rosa, as referências são subvertidas por uma escrita que funde iorubá transliterado, sertanês arcaico e português contemporâneo sem que nenhuma dessas camadas ceda à ornamentação. Com projeto gráfico de estética minimalista, o livro opera como dispositivo transmidiático: não apenas documenta instalações feitas de cobre, cera e açúcar, mas instaura uma cosmogonia viva, onde a "água brusca" do sertão torna-se elemento de uma epistemologia que o livro não explica — encarna. Os traumas históricos não são tema, são estrutura. E é essa recusa em separar forma de ferida que faz de Água brusca uma obra que permanece depois de lida — não pelo que revela, mas pelo que preceitua.
CAETANO DIAS é artista visual, cineasta e escritor. Com prática iniciada em 1999, seu trabalho atravessa vídeo, instalação, performance e escrita a partir de uma investigação enraizada na cosmologia afro-brasileira, na história colonial do sertão e na matéria — açúcar, cobre, urucum, madeira de demolição. Participou de mostras internacionais como a Bienal de Veneza (Arquitetura), Europalia (Bruxelas), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e Arte Supernova, Art Basel Miami Beach (EUA). Possui obras nos acervos do MAM-Rio, da Coleção Gilberto Chateaubriand, do Museu Berardo (Lisboa) e da Casa das Américas (Havana).
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
Uma estante virtual organiza tudo que você leu, está lendo e quer ler. Veja como montar a sua e quais os benefícios de ter um registro digital das suas leituras.
Ciência confirma: ler regularmente melhora a memória, reduz o estresse e aumenta a empatia. Veja o que a pesquisa diz e como incorporar a leitura na sua rotina.
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
Para escolas, universidades, autores e editoras