Como presentear livros sem errar: um guia para acertar sempre
Dar um livro de presente é um ato de intimidade, você está dizendo "eu conheço você". Mas errar é fácil. Veja como acertar na escolha e surpreender quem você ama.
Antropologia e Sociedade
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Colocando o corpo moderno em perspectiva, David Le Breton mostra que, no discurso científico contemporâneo, o corpo é tomado como simples suporte da pessoa, algo que pode e deve ser aprimorado, uma matéria-prima na qual se dilui a identidade pessoal. Para passar do corpo rascunho ao corpo acessório, para não naufragar num sistema cada vez mais ativo e exigente, as pessoas entregam-se a uma manipulação de si a base de próteses. A tecnociência vem socorrer esse corpo que deve ser reparado, rearranjado, assistência médica à procriação, exames terríveis que acompanham a existência pré-natal – enfim, instaura-se a suspeita do corpo, e a medicina, fazendo a triagem, torna-se um biopoder. Enquanto alguns biólogos sonham em livrar a mulher da gestação, a sexualidade cibernética realiza o imaginário do desaparecimento do corpo e até do outro. Assim, para alguns, o corpo não está mais à altura das capacidades exigidas na era da informação: convém moldá-lo, forjando um corpo biônico no qual seria enxertado um disquete que contivesse o espírito. Adeus ao corpo desnuda essa vontade implícita do Ocidente de transformar esse corpo rascunho.
David Le Breton, antropólogo francês, é professor na Universidade Marc Bloch de Estrasburgo. É autor de: Corps et sociétés, Anthropologie du corps et modernité, Des visages, Passions du risque, La chair à vif, Anthropologie de la douleur, Du silence e Éloge de la marche.
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