Como ler mais livros: 10 hábitos dos leitores que devoram 50 livros por ano
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
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A vida não funciona como um relógio: Memórias do Homem Azul reúne 21 poemas sobre infância, juventude e afetos duradouros, em versos que combinam o ponto de vista infantil e as memórias do adulto. Nos poemas, o autor relembra a própria infância, como a criança que fantasia mundos de brincadeira, romance e heroísmo. As memórias familiares geram afetos desencontrados depois que o tempo passou, e as palavras faltam para definir emoções e sentimentos profundos e misteriosos. O retrato da infância vem atravessado pela fantasia das brincadeiras, de castelos imaginativos, contos de fadas e desejos pueris. Mas o olhar do adulto – que é também a criança que não se foi – apresenta vocação para o desencanto e a contrição, sinal da passagem do tempo. Como diz o poema "Baú": "Me doem, não sei / onde, / os bens que perdi / ou se perderam / de mim." O exercício da poesia, por outro lado, impele ao que vem, ao sentimento de esperança, ao pacto futuro da palavra semeada, como anuncia o poema que abre o volume: "O poeta, Rosa, planta / e o faz com alegria. / – Uma árvore, um gesto / que dure para sempre, talvez". O livro é dividido em cinco partes (“Sem data”, “Rondó”, “Ao alcance da mão”, “Mascarada”, “Sem data”) e dedicado aos filhos Iara e Antonio, crianças que surgem, sem serem nomeadas, no belo "O homem maduro", poema que fecha a seção "Mascarada" e que traz um verso que empresta título ao livro. Os poemas dialogam com a oralidade da tradição da poesia brasileira e com autores como Drummond, Bandeira, Mário de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Murilo Mendes. O resultado é um conjunto coeso de reflexão sobre a duração da existência. A metáfora do poema como “gesto que dura para sempre” resume a vocação literária como uma combinação de fugacidade e permanência, refletindo sobre o passado com olhos no porvir, operação poética que o autor domina e desdobra neste sucinto e belo volume de versos.
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