Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
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Numa tarde de domingo, um trem do metrô de Nova York deslizava placidamente, e os poucos passageiros aproveitavam a tranquilidade para ler ou cochilar. De repente, o sossego foi quebrado pela entrada de um homem e seus quatro filhos pequenos. O pai sentou-se ao lado de uma senhora e fechou os olhos enquanto as crianças infernizavam a vida das pessoas, gritando, pulando e arrancando os jornais e livros das mãos dos perplexos passageiros. Quando a situação ficou insuportável, a senhora, indignada, sacudiu o pai e lhe disse: O senhor tem noção do quanto seus filhos estão perturbando a vida dessas pessoas? O senhor não acha que é hora de tomar alguma providência?. E ele, como que despertado de um estado de choque, disse: Sim, a senhora tem razão e eu peço desculpas, mas acontece que nós saímos do hospital onde a mãe deles morreu há uma hora, e acho que nem eles nem eu estamos sabendo como lidar com isso. Trecho da crônica A necessidade de ouvir. Felicidade é urgente. A tristeza pode esperar. Um abraço prolongado, um abraço gentil, um abraço longo e silencioso. É assim, apenas com um gesto, que o dr. J.J. Camargo conforta muitos dos seus pacientes nos momentos mais difíceis. Um dos nomes de referência em cirurgia torácica, responsável pelo primeiro transplante de pulmão da América Latina, o dr. Camargo se depara todos os dias com dramas de difícil solução. Mas se as doenças se repetem, os pacientes são sempre diferentes, e suas histórias, de emocionar. Com uma escrita primorosa que reflete os anseios daqueles que o procuram para compartilhar seus medos, Camargo recupera aquilo que jamais deveria ter sido deixado de lado, o fator humano. Além de uma doença, cada paciente tem uma história, e o doutor está sempre pronto para ouvir. São esses relatos, que tocam o fundo da alma, que lemos aqui, em passagens que nos fazem rir e chorar. Como os grandes cronistas, J.J. Camargo divide com o leitor os dramas da vida cotidiana, fazendo de A tristeza pode esperar uma leitura obrigatória para todos aqueles que se perguntam cotidianamente qual o sentido da vida e como podemos viver melhor.
J.J. Camargo é professor de cirurgia torácica na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Doutor em pneumologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se formou em 1970, fez especialização na Clínica Mayo (EUA). Foi pioneiro em transplante de pulmão na América Latina em 1989 e o primeiro a realizar transplante de pulmão com doadores vivos fora dos EUA, em 1999. Idealizador e diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Misericórdia, é responsável por mais da metade dos transplantes de pulmão feitos até hoje no Brasil. É idealizador e diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Misericórdia e membro titular da Academia Nacional de Medicina (da qual é vice-presidente) e da Academia Brasileira de Médicos Escritores. Já presidiu a Asociación Sudamericana de Cirugía Torácica, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica e a Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. É autor de O que cabe em um abraço (L&PM, 2016), Do que você precisa para ser feliz? (L&PM, 2015), A tristeza pode esperar (L&PM, 2013, Prêmio Açorianos de Literatura 2014 e Prêmio Livro do Ano AGES 2014), Não pensem por mim (AGE, 2008), além de cinco livros acadêmicos. Já proferiu mais de 1.100 conferências em 22 países. É colunista do caderno Vida de Zero Hora.
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