Conheça as belezas de uma terra indomável, mas cheia de vida e história.
Reverenciada nos Estados Unidos, A Terra da Pouca Chuva é considerada a obra-prima de Mary Austin, a grande escritora do Oeste norte-americano. Publicado originalmente em 1903, o livro é um retrato da vida no deserto entre Owens Valley e Mojave, na Califórnia, onde a autora conviveu com indígenas paiute e shoshone, garimpeiros e aventureiros.
O resultado é uma narrativa de viagem incomum. Aqui não há roteiros turísticos comerciais ou paisagens domesticadas, mas a descrição literária do Velho Oeste onde a terra é protagonista. Uma terra árida e implacável, mas generosa com quem a aprende a habitar e respeitar seus ciclos.
Aqui, o ser humano é uma criatura frágil, tão vulnerável quanto os ratinhos e outros pequenos roedores que se esquivam das garras da águia, do prenúncio de morte trazido pelo corvo ou dos dentes afiados do coiote.
Austin escreve com a precisão de quem observa e a poesia de quem ama. Descreve a cesteira Seyavi criando o filho sozinha nas cavernas, o garimpeiro que volta ao deserto mesmo depois de rico, os urubus e corvos ensinando sobre a economia da natureza. E, entre histórias e personagens, revela uma verdade incômoda e bela: a terra não aceita ser habitada senão à sua maneira.
Mais de cem anos depois, as marcas indeléveis de Austin na cultura e na literatura americanas ainda são visíveis, como as pegadas dos coelhos que ela perseguia na neve. A casa onde a autora escreveu A Terra da Pouca Chuva segue lá, com uma placa que repete um convite feito por ela mesma no prefácio: entre, tome notícias desta terra insólita.
Sente-se ao pé da fogueira. Ouça o que ela tem a dizer. Conheça seus caminhos repletos de histórias. Ao final, você vai perceber que o deserto, apesar de indomável, não é uma terra vazia. Pode ser, ao contrário, o oásis para uma humanidade tão saturada da vida urbana.
Boa viagem e boa leitura!