Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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"Tentarei lançar pelo menos um olhar sobre as consequências que tudo o que foi dito até agora pode ter para a relação metafísica do homem com o princípio de todas as coisas. Um dos mais belos frutos que podem ser citados, referente a esse processo gradual pelo qual a natureza humana é construída a partir dos níveis inferiores da existência – um processo que tentei descrever aqui – diz respeito precisamente à necessidade interna com que o homem, no momento mesmo em que se tornou homem, graças à consciência do mundo e de si mesmo e graças à capacidade de objetivar também a própria natureza psicofísica – sinais, todos estes, inequívocos do espírito – neste exato momento, dizia, o homem também deve apreender a ideia mais formal de um ser supramundano, infinito e absoluto. Uma vez que o homem se tenha posto fora de toda a natureza – e isso coincide propriamente com sua essência, aliás é o ato por excelência do tornar-se homem – e adquiriu a capacidade de objetivá-la, naquele mesmo instante o homem se vira consternado e exclama: ‘Onde estou, então, eu mesmo? Qual é o meu lugar?’ Em tal momento o homem não pode mais dizer: ‘Eu sou uma parte do mundo e sou envolvido por ele’; exatamente naquele momento, de fato, o ser atual do seu espírito e da sua pessoa estão transcendendo as formas ontológicas daquele ‘mundo’ de tipo espaço-temporal. Ao contrário, nessa reviravolta ele afunda seu olhar no nada e nesse olhar descobre a possibilidade do ‘nada absoluto’, o que o leva a questionar-se: ‘Por que existe um mundo? Por que e como eu sou?’. Aqui é necessário compreender em uma única intuição a rigorosa necessidade da conexão que subsiste entre consciência do mundo, de si mesmo e do conceito formal de Deus.”
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