Os melhores romances de amor: clássicos e contemporâneos que emocionam
Da Jane Austen ao romance brasileiro contemporâneo, o gênero que mais vende e mais une pessoas ao redor de histórias de amor. Uma seleção para quem quer sentir tudo.
LuíSa Monteiro
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Se a crista ilíaca é a parte mais bonita de um corpo, uma orelha jamais refletirá com justiça a intimidade encantatória desse corpo-poema, que se apresenta apenas quando desnudado através das páginas. Talvez esse seja o convite proferido desde o título: o toque rumo à travessia de um corpo. A poesia de Luísa Monteiro explora a epiderme da palavra, das ruas, dos objetos e da experiência amorosa a permear o caminho – traçar o caminho. Não há Ulisses sem experiência amorosa, compreendemos, e entre pescoços e quadris escondem-se montanhas e mares que apontam para uma Ítaca que ela – tecelã – nos entrega em versos. Do “‘pequeno compilado de sentimentos usuais’…” a “mixtape” cumpre-se a afirmação de Magritte que abre em epígrafe o livro. As palavras exploradas ao longo dos versos materializam-se em nossas mãos. Mesmo as músicas de “mixtape” ganham um sentido expandido, quase tátil, ao serem mescladas com cenas da aguda experiência comum, como se de repente tivessem sido feitas para o poema, que é corpo, galgando o além do ouvido. O que se faz vibrar ali é a dupla possibilidade do verbo tocar. O amor com suas sinuosas cristas e seashores, escrito na língua própria – língua materna reaprendida – da poeta, bate na porta, quer nos conhecer. A chave? Nem roxa, nem amarela, cabe ao leitor pegar a terceira, a que escapou, e com a mão empunhada bater na porta – gesto aprendido com o amor – como quem diz “posso entrar?”.
Luísa Monteiro nasceu e vive no Rio de Janeiro. Graduada em Letras, atualmente é doutoranda em Ciência da Literatura na UFRJ, com pesquisa em andamento sobre relações entre imagem e escrita na poesia visual brasileira e francesa. Publicou no segundo volume da antologia “Quem dera o sangue fosse só da menstruação” e foi finalista do prêmio Off-Flip de 2022 na categoria poesia.
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