Como recomendar livros para amigos sem arruinar a amizade
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Parece que a psicanálise, assim como a filosofia e a literatura, navega por águas turvas e revoltas, lida com o estranho e perturbador. Porém, o que é mais espantoso é que esse estranho e perturbador quase sempre estão mais próximo e nos acompanha mais cotidianamente do que imaginamos. Por exemplo, talvez não exista algo mais inquietante e íntimo do que a angústia sobre o sentido da nossa própria vida ou, o que é pior, sua falta de sentido. Um grande filósofo escreveu que sobre o que não se pode falar é melhor nos calarmos. Este precioso livro, A morte de si, desobedece a essa máxima filosófica e fala sobre o que nós devemos calar: le mythe décisif, matar a si mesmo. Não é bom, tampouco agradável, talvez nem mesmo seja possível, mas é necessário. Unindo uma escuta de três décadas na clínica analítica a uma fina e original leitura de Freud e Lacan, e atravessando a literatura, o cinema, a filosofia e os estudos sobre suicídio, Marcelo Veras escreveu um livro único — direto, duro, poético, generoso. Mais do que um livro sobre a clínica do suicídio, A morte de si é sobre o conflito que inventa nossas existências, a luta entre Thanatos e Eros que levamos a cabo até o último minuto.
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