Como presentear livros sem errar: um guia para acertar sempre
Dar um livro de presente é um ato de intimidade, você está dizendo "eu conheço você". Mas errar é fácil. Veja como acertar na escolha e surpreender quem você ama.
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“A morte da mariposa” é um dos ensaios clássicos de Virginia Woolf. Publicado postumamente, foi escrito no fim de sua vida, em meio à Segunda Guerra Mundial. No entanto, nada no ensaio faz referência explícita à guerra. Não há menção aos campos de extermínio que eram construídos não muito longe de onde morre a mariposa observada por Virginia. Mas, sendo Virginia quem é, sabemos que é isso o que corre por baixo das suas palavras e que vem à superfície em uma ou outra frase que nos deixa atônitos. Os esforços da mariposa para sustentar a vida são como os esforços dos seres humanos: esplêndidos, dignos, mas também patéticos, dignos de pena. A mesma sina que se a vizinha para a mariposinha cor de feno “poderia, se quisesse, submergir uma cidade inteira, e não apenas uma cidade, mas massas de seres humanos.” Talvez, então, o que ainda comova nesse ensaio breve seja exatamente a resistência. Pois “A morte da mariposa” não trata tanto do fim de um inseto (aparentemente insignificante), mas da sua luta incansável. Da sua dignidade de insistir na vida mesmo diante de um poder que o ultrapassa e que até pode subjugá-lo, mas ao qual ele entregará tudo aquilo que tem. Nesse sentido, o ensaio ecoa temas caros a Virginia, para quem as coisas mínimas da vida guardam em si algo de esplêndido. O aspecto implacável de forças como a natureza, o tempo ou a guerra, que a todos toma e destrói, vem contrastado com a ternura da nossa (aparentemente insignificante) existência. Existe algo muito maior do que nós e nosso tempo diminuto de vida: não importa sesomos homens, mulheres, peixes ou mariposas. Mas isso não nos detém em dias amenos de setembro. Não impede que dancemos, no pequeno quadrado de vidraça que nos cabe. Ana Carolina Mesquita
Virginia Woolf (1882-1941) é uma das escritoras mais importantes do século XX e um dos nomes mais relevantes do Modernismo. Para além de Mrs. Dalloway (1925), seu romance mais popular, a autora britânica também escreveu contos, textos autobiográficos, ensaios e histórias infantis. Conhecida por um estilo ímpar, Woolf encontrou uma linguagem para representar a consciência de suas personagens, perscrutando sua interioridade. A escritora participou ativamente dos debates de seu tempo, tanto literários como sociais, realizando palestras, escrevendo artigos e fazendo parte do famoso grupo de Bloomsbury. Ao lado de seu marido, Leonard Woolf também fundou a editora Hogarth Press.
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