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O livro traz questões importantes para a crônica contemporânea: é o século XXI, com todos os temas debatidos na sociedade, transportado artisticamente para a Literatura em textos curtos, acessíveis e, sobretudo, atraentes. A Menina Linda tem textos construídos a partir de uma tessitura ao mesmo tempo delicada e contundente. Numa dicção original e surpreendentemente bela, Cidinha da Silva toca em temas sociais candentes, como racismo, periferia, relações trabalhistas, africanidade, sem nunca descuidar dos aspectos estéticos. No texto A menina linda, que abre o livro e lhe dá título, vemos uma professora que precisa se educar diante das surpresas indigestas que o racismo pode trazer. E fica a pergunta: “Por que a felicidade da mulher negra precisa ser guerreira, sempre?”. Já em A coleção de dicionários de capa dura na estante, o narrador aborda a importância da leitura em um ambiente familiar pouco afeito às manifestações da cultura letrada, visto que monopolizado pela sobrevivência cotidiano. É ainda este tema que vai ressoar na belíssima crônica Cenas da colônia africana em Porto Alegre – as lavadeiras, na qual a singularidade da voz narradora frente à labuta da vida cotidiana permite um olhar de esguelha às condições de vida das classes populares. Além do papel do livro e da leitura, a cultura do rap, o Carnaval e o samba também estão nas crônicas de Cidinha. Sendo assim, passeia pelos cabelos dos meninos negros e pela beleza negra em todos os seus possíveis níveis, desde o estético até o filosófico.
Cidinha da Silva (MG) publicou 20 livros, entre eles, os premiados: “Um Exu em Nova York” (Biblioteca Nacional, 2019 e PNLD Literário 2021) “Os nove pentes d’África” (PNLD Literário 2020), "#Parem de nos matar!" (Acervo Público da Educação Paulista, 2021), "O mar de Manu" (APCA 2021, melhor livro infantil). Pela Oficina Raquel publicou "Oh, margem! Reinventa os rios!”, durante a pandemia em 2020, que já integra duas importantes políticas públicas de formação de acervo nas escolas públicas do país, o PNLD Literário 2021, dirigido ao Ensino Médio, e o “Minha biblioteca”, da cidade de São Paulo 2021 (EJA e Ensino Fundamental 2). Organizou duas obras importantes para o pensamento sobre as relações raciais contemporâneas no Brasil, “Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras” (2003) e “Africanidades e Relações Raciais: Insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil” (2014, considerado como livro de referência pela CAPES). Tem publicações em alemão, catalão, espanhol, francês, inglês e italiano. É curadora de Almanaque Exuzilhar (Youtube), conselheira da Casa Sueli Carneiro e doutora em Difusão do Conhecimento.
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