Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Aos 20 anos de idade, depois de já ter certa familiaridade com as Kareninas, as Bovarys e os Karamazovi de nossas colonizadas bibliotecas, a jovem esposa de um amigo me ofereceu a sua ‘versão atualizada’ de nossa Francesca da Rimini. Felizmente, esse replay teve um desfecho alterado, evitando a dupla tragédia, apesar do alto e platônico preço que tivemos que suportar. E ela me presenteou com um dos mais belos romances triangulares que, durante muitos anos, sustentou meu amor pela literatura e por sua mensageira: Sparkenbroke, do inglês Charles Morgan. Meu “A letra L” faz algumas menções ao livro inglês, mas apenas como a homenagem que me pareceu devida, além, claro, do isomorfismo ‘geométrico’ – todo triângulo tem três lados, três ângulos internos e três externos, sempre silenciados. Aqui, a atribulada viagem de um homem, (e de suas extraordinárias mulheres), seus lugares, seus tempos, seus valores, suas alternativas e escolhas, e, sobretudo, sua corrida de obstáculos, da infância à maturidade, para ajustar e administrar as suas muitas ‘esquisitices’. Este homem, Luís Cláudio não era de Itabira, mas também era ‘gauche’.
Meu nome é Roberto de Carvalho. Fui piloto de caça cassado, sociólogo, psicanalista e, atualmente, sou escritor. Vivo em uma chácara no Vale do Paraíba, em São Paulo.
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