Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
Reler um livro que você amou parece perda de tempo quando há tanto ainda para ler. Mas a releitura revela camadas que a primeira passagem não alcança, e diz algo sobre quem você se tornou.
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A ideologia da vergonha e o clero do Brasil é um livro fundamental para leitores religiosos e não religiosos. William Castilho faz ver como os seminários podem correr o risco de transformar a formação clerical em “cavernas platônicas”. Primeiro, o autor mostra as origens econômicas e socioculturais dos seminaristas. Depois, contrasta sua cultura familiar com as exigências da cultura atual. Finalmente, mostra o choque entre as duas e os efeitos dolorosos na formação dos religiosos. Aí reside a gênese da ideologia da vergonha em toda nudez e brutalidade. Ao procurarem fugir da vergonha das origens, os formandos se deixam fascinar pelo “consumo do sagrado”: admiração por padres influenciadores digitais católicos ou por vestuário, adereços e outros sinais exteriores de prestígio e poder. É a caverna de Platão em sua versão narcísica.
Mineiro, estudou Psicologia e é doutor pela UFRJ. Psicólogo clínico, atuou por várias décadas como professor da PUC Minas. Foi docente da Faculdade dos Jesuítas (Faje). Assessor em trabalhos comunitários e analista institucional. Assessor da Arquidiocese de Belo Horizonte e do Conselho Episcopal Latino-americano – Bogotá – Colômbia (Celam). Escreveu pela Editora Vozes: Sofrimento psíquico dos presbíteros: dor institucional e Os sete pecados capitais à luz da psicanálise.
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