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Como um soco na boca do estômago daqueles que ainda aspiram à ’gestão’ desse edifício fraturado da catástrofe à brasileira, Marildo Menegat chama a refletir sobre conexões indigestas entre os polos aparentemente opostos que até recentemente puderam orientar as posições de nossa tradição crítica. O ’tempo do fim’ apresentado nestes ensaios se elabora numa ’economia política da barbárie’, em que a guerra civil e a milicianização do cotidiano, de um lado, e a disputa pelo controle monopolista de grandes empresas, de outro, desdobram-se como complementos de uma mesma ’economia de pilhagem’, que parece ser o que resta na crise civilizatória e de valorização do valor do capitalismo da Terceira Revolução Industrial, também vivida como barbarização das relações mais íntimas no contexto de colapso da modernização. Este livro explosivo requer do leitor coragem para enfrentar o horror de frente; aqui tratado em aspectos históricos e também teóricos precisos, desdobrando a crítica do valor-dissociação e extrapolando os limites do dualismo num radicalismo necessário. Se, de um lado, esta obra parece remeter a um entendimento da concreção mais particular da violência extraeconômica na realidade do fim da guerra fria que se encaminha para uma guerra contra as drogas que se efetiva como guerra "contra os civis" vivenciada na cotidianidade brasileira; de outro, sugere meios de abordar a violência de forma ainda mais ampla em termos escalares e teóricos. Assim, inova ao tratar da guerra e da "economia de guerra", entrelaçando-a à dinâmica histórica e categorial do capitalismo, sobretudo em seu momento de crise fundamental. De quebra, ainda inclui excursos sobre a arte e a política nestes fins de tempos. Por fim, há também a relação necessária a se estabelecer entre a técnica desenvolvida na ’civilização’ capitalista e seu caráter iminentemente destrutivo, a colocar em questão os limites da própria existência humana e de toda a vida no planeta. Trata-se de uma corajosa abertura para o entendimento correlato entre ’crise do capital’ e ’crise ambiental’. Na contagem regressiva para o ponto de não retorno da destruição completa, o chamado é à revolução teórica inacabada que não pode conceber a catástrofe como falha do progresso, muito menos desejar que este a contorne, mas sim apreendê-la como consequência da modernização que instaura as categorias de uma reprodução social pautada pela lógica abstrata do fim em si do sujeito automático do capital que nos perpassa a todos." Cássio Arruda Boechat Professor da UFES
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