Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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A capacidade de fazer rir de uma tragédia, de afligir com uma letargia, de angustiar com o desespero alheio e chocar com o rumo que uma história pode tomar. Talvez essa seja a definição de A estirpe , de Carla Maliandi. Em plena festa de aniversário, um globo espelhado cai do teto sobre a cabeça de Ana. Um tanto cômico, se não fosse trágico. O ocorrido faz com que perca a memória, as palavras, os afetos. Não se lembra do esposo, da mãe, do filho, da empregada. A resposta pode estar em seu escritório, repleto de fotos, caixas e documentos sobre uma campanha militar do fim do século XIX. Materiais para um livro que estava a escrever, mas o vasculhar de objetos a transporta a algo inesperado, incompreensível, para lembranças que não são suas, para palavras que não imaginava conhecer. Originalidade descreve bem a escrita de Carla Maliandi e A estirpe é prova do merecido adjetivo. Ela nos encanta sem floreios, surpreende como um tropeço e nos faz questionar como foi capaz de unir eventos corriqueiros, acontecimentos e reparações históricos, dilemas pessoais e familiares e a agonia e insanidade que tomam conta da protagonista (e ultrapassam as páginas) em uma novela sólida e, ao mesmo tempo, insólita. A estirpe poderia ser um romance histórico, ou um drama familiar, ou um relato introspectivo de uma mulher vazia, mas é um livro único, para ser lido de modo alucinante e refletido por dias a fio. Aline Teixeira
Carla Maliandi vive em Buenos Aires. Realizou seus estudos de graduação e pós-graduação na Universidad Nacional de Las Artes, especializando-se como dramaturga. Como diretora e dramaturga, dirigiu sete obras e participou em diversos festivais nacionais e internacionais. Formou o coletivo Rioplatensas com o qual desenvolveu um programa de televisão e uma publicação semestral com o mesmo nome. Sua primeira novela La habitación alemana (2017), publicada no Brasil como O quarto alemão, pela Moinhos, foi traduzida ao inglês, alemão, francês e português e seus direitos adquirido cinema. Sua segunda novela, La estirpe, foi lançada em 2021 e ganhou versão em audiobook narrado pela própria autora. A Moinhos agora traz A estirpe para o Brasil, primeiro país a traduzir a obra para outro idioma, com tradução de Sérgio Karam.
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