Literatura africana contemporânea: vozes que o mundo precisa ouvir
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... na ficção de Howard Phillips Lovecraft, apenas coisas inverossímeis acontecem, sem nenhuma referência à trivialidade da vida cotidiana. Nada é por acaso, e tudo o que consta nas suas páginas evoca um sentido ominoso — trata-se do Mal, do Pior e do Terrível —, confrontando magistralmente o leitor com uma experiência de terror cósmico que perturbará seus sonhos para todo o sempre... H.P. Lovecraft explora como ninguém o incompreensível, o lado obscuro da mente humana, através de sua vivacidade imaginativa, envolvendo suas personagens em sombras, sonhos e pesadelos. Nesse lugar que materializa o terror, ele convida o leitor para a experiência limite de adentrar em mundos desconhecidos, transformando esse devaneio, que lembra nossos pesadelos mais terríveis num passeio onde a realidade é trocada pelo desvario e a vida humana cede ao delírio do sobrenatural. Esses mundos sombrios e subterrâneos são habitados por estranhos seres que desde eras imemoriais coexistem com a ilusória tranquilidade da superfície, assaltando, de tanto em tanto, o cotidiano. Seres de um passado mítico, passageiros de um tempo indefinido a procura do autoconhecimento, da imortalidade e do poder divino. Na obra de Lovecraft o mundo é um lugar terrível, onde a humanidade surgiu por acaso, graças a um breve período de sono das poderosas forças ancestrais que observam e esperam o momento para despertar e dar fim a ela. E aquele que se aventurar a perturbar estas forças, pagará um alto preço com a vida ou a sensatez. Os elementos que constituem a rara arquitetura de H.P. Lovecraft estão presentes nos contos de A cor que caiu do céu. Acontecimentos aparentemente inverossímeis, mas sem dar lugar ao acaso, fazem o leitor transitar trilhas obscuras, onde o inominável faz sua aparição, pondo a perder toda e qualquer ilusão de segurança. Os contos encerram estranhas sensações, prendendo o leitor que, fascinado e devorado pelo pavor que se desprende destas páginas, luta com as personagens na corda bamba da sanidade. Seus mitos expressam a grandeza e o terror imemorial do universo, e ele conseguiu traduzir em linguagem e emoção as criações mais estranhas, mais aberrantes e simbólicas da imaginação ocidental.
O século que experimentou um fantástico progresso na mecanização da produção, uma extraordinária jornada de investigação, sob a égide da ciência, de todos os meandros da atividade humana — produtiva, social, mental —, foi também o período em que mais proliferaram, na cultura universal, as incursões artísticas na esfera do imaginário, os mergulhos no mundo indevassável do inconsciente. Literatura, rádio, cinema, música, artes plásticas, e depois, também, a televisão, entrelaçaram-se na criação e recriação de mundos sobrenaturais, em especulações sobre o presente e o futuro, em aventuras imaginárias além do universo científico e da realidade aparente da vida e do espírito humanos. Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), embora não tenha alcançado sucesso literário em vida, foi postumamente reconhecido como um dos grandes nomes da literatura fantástica do século XX, influenciando artistas contemporâneos, tendo histórias suas adaptadas para o rádio, o cinema e a televisão, e um público fiel constantemente renovado a cada geração. Explorando em poemas, contos e novelas os mundos insólitos que inventa e desbrava com a mais alucinada imaginação, Lovecraft seduz e envolve seus leitores numa teia de situações e seres extraordinários, ambientes oníricos, fantásticos e macabros que os distancia da realidade cotidiana e os convoca a um mergulho nos mais profundos e obscuros abismos da mente humana. Dono de uma escrita imaginativa e muitas vezes poética que se desdobra em múltiplos estilos narrativos, Lovecraft combina a capacidade de provocar a ilusão de autenticidade e verossimilhança com as mais desvairadas invenções de sua arte. Ele povoa seu universo literário de monstros e demônios, de todo um panteão de deuses terrestres e extraterrestres interligados numa saga mitológica que perpassa várias de suas narrativas, de homens sensíveis e sonhadores em perpétuo conflito com a realidade prosaica do mundo.
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