Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
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A precariedade da arte surge de uma premissa básica: a arte não é óbvia. Sua potência nasce da lealdade cambiante que estabelece com a “verdade” do mundo. Seja qual for o modelo de compreensão que imputamos sobre a produção artística desde o pós-guerra, a arte não nos apresenta garantias de compreensão dos fenômenos sociais, culturais e políticos. Este é um livro que nos apresenta a capacidade de artistas assumirem, conscientemente ou não, a precariedade como força poética, como componente interno das obras e como fato disruptivo que afasta qualquer entendimento satisfatório. Sim, a arte de Lygia Clark, Anna Bella Geiger, Leila Danziger, Rosana Paulino, Paulo Nazareth, Mathieu Pernot, Fernando Bryce, entre outros artistas abordados no livro, não satisfaz as boas consciências críticas de sua contemporaneidade. Antes, juntas ou individualmente, os trabalhos desses artistas apresentam a fragilidade do fazer artístico como sintoma da própria fragilidade do estar-no-mundo, pensando sobre ele, agindo diante de suas adversidades.
Luiz Cláudio da Costa é professor Associado do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), atuando nos cursos de Graduação e no Programa de Pós-graduação em Artes (PPGartes/Uerj). É bolsista Produtividade do CNPq, Procientista da Uerj/Faperj e Cientistas do Nosso Estado (Faperj). Publicou os livros "A gravidade da imagem: arte e memória na contemporaneidade" (Quartet, 2014) e "Cinema brasileiro (anos 70-70), dissimetria, oscilação e simulacro" (7 Letras, 2000). É doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com bolsa do CNPq e pós-doutor pela Université de Paris 1-Sorbonne com bolsa da Capes. Foi editor responsável pelas coletâneas "Narrativas, ficções, subjetividades" (em parceria com Sheila Cabo Geraldo - Quartet, 2012), "Dispositivos de registros na arte contemporânea" (Contra Capa, 2010). Foi vice-presidente da ANPAP no biênio 2011-12. Foi curador das exposições Espaços do Ainda (Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2022), Tempo-Matéria (MAC-Niterói, 2010), Paisagem e extremos (CCJF, Rio de Janeiro, 2012), Cidade e desaparecimento (CCJF, Rio de Janeiro, 2011) e co-curador da exposição Carlos Zilio: paisagens 1974-1978 (Galeria Candido Portinari, Uerj, 2011). Publicou na "ARS" (USP), "Arte e Ensaios" (UFRJ), "Poiéisis" (UFF), entre outras. Atualmente, desenvolve a pesquisa A gravidade da imagem: apropriação e repetição na arte contemporânea (Poéticas do arquivo).
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