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Ciências Humanas

A Cidade das Letras

1ª Edição - 2015160 páginasBoitempo Editorialpt
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Sinopse

A cidade das letras é considerada uma obra de referência para a teoria literária. Escrita por um apaixonado pelo nosso continente, sua cultura e seus povos, neste livro Rama - que está para o Uruguai como Antonio Candido está para o Brasil - analisa o sistema cultural latino-americano entre os séculos XIX e XX, em especial o período de 1870-1900.As referências do autor partem da cultura - sem negar suas pluralidades, interfaces, fronteiras, divisões, tensões e contradições - e incluem temas urbanísticos, sociais e econômicos ao retratar a principal questão sobre a qual discorre o livro: as relações entre os letrados e as estruturas de poder. Por meio desse prisma, Rama estuda a concepção, o planejamento e a consolidação das cidades latino-americanas, desde a destruição da asteca Tenochtitlán, em 1521, até a inauguração de Brasília, na década de 1960.O livro traz o melhor da crítica cultural de Ángel Rama ao analisar o desenho dos valores em pauta na formação das cidades e o discurso urbano da conquista, presente em cartas, grandes clássicos da literatura e outros documentos históricos. Ao revelar as cidades latino-americanas por meio das letras e da ordem dos signos, Rama traça um paralelo entre os projetos urbanísticos e o ideal desejado de urbe limpa, estéril e civilizada.A obra mostra como as cidades do 'novo' continente foram idealizadas e racionalmente estruturadas como um sonho de ordem, desejo antigo dos europeus em sua conquista por uma 'cidade ideal', em contraposição às caóticas cidades renascentistas surgidas de espaços medievais, 'orgânicos'. Ao longo de seis capítulos, Ángel Rama constrói sua narrativa a partir da definição de cinco momentos históricos vivenciados por esses lugares - a cidade ordenada, a cidade letrada, a cidade escriturária, a cidade modernizada e, por fim, a cidade revolucionária -, a fim de explicar como a imposição dessa organização se tornou estratégica para a dominação da América Latina na era expansionista, oferecendo aos colonizadores 'páginas em branco', nas quais poderiam colocar em ação seus projetos de cidades ideais até então frustrados. Na concepção de Rama, a 'cidade das letras' foi historicamente o espaço adequado para a ação do setor acadêmico, que usava a universidade como ponte para ocupar esferas de poder, acessíveis apenas àqueles de formação privilegiada. 'Brilha, na análise de Rama, a consideração do papel dos intelectuais neste processo que, embora vertiginoso de construção, desconstrução e reconstrução, demorou séculos até o nosso vigésimo-primeiro. Este papel se desdobrou em missão sacerdotal, administrativa, escriturária, cartorial, muitas vezes querendo reafirmar os 'valores europeus' diante da 'barbárie' nativa do continente', afirma Flávio Aguiar, no texto de orelha, apontando a função crucial que a classe letrada desempenhava por estar estreitamente ligada às funções do poder. Ao concluir sua tese, Rama defende que o Estado, após quatrocentos anos de monopólio, finalmente deixaria de ser o âmbito por excelência da produção de textos. Em sua visão, a luta pelo controle da palavra escrita descentralizaria seu domínio, reconfigurando não só suas relações com a sociedade civil, mas também entre intelectuais e o público, entre a letra e poder. Originalmente lançado em 1984 - após a morte de Rama -, A cidade das letras conta com apresentação de Mario Vargas Llosa e prefácio de Hugo Achúgar. A edição da Boitempo ganhou especialmente um índice onomástico com uma curta biografia para cada nome citado, um importante acréscimo se considerado o desconhecimento geral, por parte do público brasileiro, dos demais escritores e pensadores latino-americanos.

Detalhes do livro

Título
A Cidade das Letras
Autor
Angel Rama
Editora
Boitempo Editorial
Ano
2026
Páginas
160 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788575594285
Edição
1ª Edição - 2015
Formato
Brochura

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