As melhores biografias e memórias que vão mudar sua visão de mundo
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Filha bastarda criada por uma mãe solteira e terrivelmente rígida, Violette Leduc é, ela mesma, a protagonista desta que é considerada a sua obra-prima. Aqui está uma mulher diante de si, que retoma sua história, do nascimento aos trinta anos, narrando com estilo incisivo e uma franqueza desconcertante os eventos de uma infância frágil, os embates com a aparência física nunca aceita, o desejo sexual por homens e mulheres, seus amores, rancores e suas idiossincrasias. Com A bastarda, a autora marca a descoberta de uma linguagem própria que a tornou escritora e personagem das mais fascinantes e singulares da literatura francesa. “Violette Leduc não ameniza nada. A maioria dos escritores, quando confessa sentimentos ruins, retira deles os espinhos por sua própria franqueza. Ela nos obriga a senti-los, nela, em nós, em sua hostilidade candente. Ela permanece cúmplice de seus desejos, rancores, mesquinharias: assim ela assume os nossos e nos liberta da vergonha: ninguém é monstruoso se todos nós o somos.” – Simone de Beauvoir “Minha certidão de nascimento me fascina. Ou melhor, me revolta. Ou me aborrece. Toda vez que preciso, releio-a do início ao fim e vejo a mim mesma outra vez no longo túnel que reverberou o som da tesoura do obstetra. Eu escuto e estremeço. Os vasos comunicantes que nos faziam ser uma só pessoa quando ela me carregava no ventre foram cortados. Aqui estou eu, nascida num registro de cartório, pelas mãos de um escrivão. Sem nódoas, sem placenta: nascida na escrita, apenas um registro. Quem é essa tal de Violette Leduc? Ela é, no fim das contas, a bisavó de sua bisavó.” – Violette Leduc
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VIOLETTE LEDUC nasceu em Arras, na França, em 1907. Além de romancista, trabalhou em editoras e também como jornalista. Seu primeiro livro, L’Asphyxie (1946), foi publicado por Albert Camus e elogiado por nomes como Jean-Paul Sartre, Jean Cocteau e Nathalie Sarraute. Em seguida vieram L'Affamée (1948) e Ravages (1955), este último com trechos que narravam cenas de sexo entre mulheres, censurados à época e retomados em 1966 no romance Thérèse et Isabelle, que se tornou um clássico da literatura lésbica. Com A bastarda (1964), sua obra mais conhecida, alcançou grande sucesso junto ao público e à crítica. Morreu em 1972.
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