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Num mundo triturado pelo horror da Segunda Guerra, a escritora húngara Ágota Kristóf fez em A analfabeta o relato da sua travessia pessoal em busca de uma pátria e de uma língua que jamais fossem confiscadas. Queria uma língua na qual pudesse, enfim, encontrar as palavras que lhe pertencessem. Numa série de curtos depoimentos, Kristóf escreve sobre a fantasmagórica infância pobre de quem começa a viver em meio a um conflito mundial e sobre a obrigatoriedade de aprender o idioma russo, que tentou rasurar a sua língua natal. Lembra, ainda, a estranheza do luto imposto pela morte de Stálin e da sua fuga para a Suíça no final dos anos 1950. Uma das mais importantes autoras europeias do século XX, Kristóf oferece aqui um romance de formação da sua vida junto às palavras, e sentencia: “É preciso continuar escrevendo. Inclusive quando não interessa a ninguém”.
ÁGOTA KRISTÓF (1935–2011) é uma das mais importantes escritoras europeias da segunda metade do século XX. Nascida na Hungria, radicou-se na Suíça em 1956. Recebeu inúmeros prêmios, como o Prêmio Schiller e o Prêmio Kossuth do Estado Húngaro. É autora de romances, contos e de textos para o teatro.
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