Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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A amizade é um dos sentimentos mais nobres do ser humano. A palavra evoca simpatia, aproximação, trato e, aos poucos, confidência, sintonia de pontos de vista e de preferências, disposição de servir sem outra paga que a alegria de servir: a amizade não é interesseira. A tal ponto se trata de um valor, que o próprio Deus, que de nada precisa, quis “precisar” da amizade do ser humano, e por isso o criou: “As minhas delícias”, disse, “são estar com os filhos dos homens, mais do que com os serafins”. E esse é também um dos motivos pelos quais o Verbo divino se fez carne em Jesus Cristo e quis ter um coração humano, que pudesse bater em uníssono com o nosso. A partir desse momento, também o homem não percorreria o seu caminho rumo a Deus – que essa é a definição autêntica de toda a vida humana – como quem se submete contrafeito a uns regulamentos, mas buscando e experimentando a luz, o calor e a plena sintonia com Aquele que um dia chamaria amigos aos seus discípulos. Este é o ângulo em que o autor desta obra-prima, de corte clássico, se coloca para nos desvendar o segredo da relação do homem com Deus. Metodicamente, Robert Hugh Benson, clérigo anglicano convertido ao catolicismo e ordenado sacerdote da Igreja Católica, vai descrevendo as fases desse processo de amizade com Deus, desde a descoberta de Cristo no interior da alma, que leva primeiro ao despojamento do amor-próprio e, a seguir, à experiência sem fim da constante presença de Deus dentro de nós, até a descoberta de Cristo no exterior, que se projeta em riquíssimas realidades como são a Igreja, os sacerdotes, os sacramentos (especial mente o da Eucaristia), o homem comum e até mesmo o pecador. São manifestações diversas, essencialmente distintas entre si, mas nas quais é o próprio Cristo, o Amigo, que se oferece à nossa amizade, facilitando, robustecendo e multiplicando a sua amável presença.
Robert Hugh Benson, nascido em 1871, foi pastor anglicano – filho do arcebispo da Cantuária. Em 1903, converteu-se ao catolicismo, ordenando-se sacerdote no ano seguinte. Como escritor de ficção e não ficção, teve uma produção fecunda, assinando títulos como O senhor do mundo e Amizade com Cristo. Também atuou como capelão universitário de Cambridge. Faleceu em 1914.
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