Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
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Em 1949, poucos meses antes da morte de George Orwell, veio a público uma das distopias mais mordazes que a literatura do século XX já produziu e que, desde então, tornou-se um clássico moderno. 1984 retrata uma sociedade controlada por um governo totalitário que se vale da linguagem para falsificar a história. No superestado de Oceânia, o livre pensar é considerado o pior crime contra o Irmão Mais Velho, entidade que representa o poder supremo e implacável. Nesta nova tradução, o caráter satírico do último trabalho de George Orwell é atualizado para trazer ao público brasileiro o valor irônico da falanova, a língua que os burocratas tentam construir para capturar as mentes dos homens e das mulheres da — nem tão — fictícia Oceânia.
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Nascido em 1903, em Bihar, na Índia britânica, George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) foi jornalista, crítico literário e romancista, além de uma das vozes literárias mais influentes do século XX. Membro de uma família que descreveu como de “classe baixa-alta-média”, estudou como bolsista em colégios de elite na Inglaterra. Em 1922, partiu para a Birmânia (atual Mianmar), onde por cinco anos foi agente da polícia colonial. Dessa experiência, nasceu seu primeiro romance, Dias na Birmânia (1934), no qual critica o imperialismo britânico. Entre 1927 e 1928, partiu para uma imersão na realidade da pobreza extrema de Londres e Paris, vivendo entre moradores de rua e outros grupos no limite da sobrevivência. Essa experiência foi narrada, com humor e indignação, em Na pior em Paris e Londres, de 1933. Sempre sensível às injustiças sociais, realizou uma investigação jornalística no norte da Inglaterra sobre os efeitos catastróficos do desemprego. Em 1937, publicou o resultado dessa incursão pelo universo dos trabalhadores das minas de carvão em O caminho para Wigan Pier. Em 1936, Orwell esteve em Barcelona para lutar contra o regime fascista, durante a Guerra Civil Espanhola. Dois anos mais tarde, publicaria o testemunho de sua experiência no front, Homenagem à Catalunha. Em 1938, já tuberculoso, passou seis meses no Marrocos. No início da Segunda Guerra Mundial, trabalhou para a BBC de Londres mas, em 1943, deixou o posto para se tornar editor de literatura do jornal britânico Tribune. Testemunha de sua época e fiel ao ideário socialista, escreveu A fazenda dos animais (1945), uma lúcida fábula contra o totalitarismo. No final de 1945, mudou-se para a ilha de Jura, na costa oeste da Escócia, onde escreveu sua última obra, a magistral distopia 1984, uma visão sombria do poder de uma sociedade vigiada e punitivista. Morreu em 1950, em Londres.
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