Literatura brasileira: os clássicos que todo leitor deveria conhecer
A literatura brasileira produziu obras extraordinárias que dialogam com o melhor da literatura mundial. Um guia pelos clássicos essenciais, do Romantismo ao Modernismo.
Uma Biografia da Abolição da Escravidão no Brasil
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Quando a Princesa Isabel conseguiu fazer passar a Lei Áurea, uma tempestade pesada, destruidora, se formou no horizonte. O Senador Cotegipe vaticinou nos ouvidos dela – como uma espécie de oráculo da morte – o futuro sombrio que a aguardava. Disse do alto da sua arrogância, do alto do seu medo enrustido de um mundo novo que acabava de nascer, mas que já era forte o suficiente para arrombar os portões de suas fazendas: “A senhora ganhou a batalha, mas perdeu o trono.” De fato, pouco mais de um ano depois desse vaticínio, a monarquia desabou e a Princesa Isabel foi obrigada a se exilar — expulsa do seu país. Mas por qual pecado, qual crime? Teria conspirado para a morte do rei para assumir o trono? Teria sido uma governante tirânica? Teria feito passar alguma lei que atentasse contra a liberdade e a segurança do seu povo? Todas essas questões devem ter surgido quando a notícia da queda da monarquia e do exílio chegou aos rincões mais distantes. É possível imaginar o espanto e a total incompreensão das pessoas ao redor do mundo quando descobriam que o crime ou o pecado da princesa era ter assinado uma lei que acabava com a escravidão no Brasil. Que acabava com uma instituição nefasta, que já se prolongava por mais de trezentos anos e que muitos homens antes dela, muito mais poderosos do que ela, não tiveram a ousadia e a coragem de enfrentar. A Lei Áurea não libertou, no dia 13 de maio de 1888, apenas homens, mulheres e crianças de seus cativeiros, onde eram brutalmente explorados, mas libertou também todo um povo, toda uma nação que convivia lado a lado com a barbárie, com a iniquidade, com a desesperança, com a injustiça promovidas por aqueles que aparelharam o Estado e ignoraram os verdadeiros desejos e anseios do povo, que era viver numa nação livre e próspera.
Marcos Costa é doutor em História pela Unesp, pesquisador e escritor. Autor de O reino que não era deste mundo (2015) e A história do Brasil para quem tem pressa (2016), ambos publicados pela Editora Valentina, entre outros livros e trabalhos acadêmicos.
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