Sobre Tadeusz
Tadeusz Borowski nasceu em Jitomir (hoje Ucrânia), no território que depois de 1921 (um ano antes do nascimento do escritor) passou a pertencer à União Soviética, apesar da enorme população polonesa, da qual sua família fazia parte. Em sua curta vida (morreu aos 28 anos), Borowski experimentou muitas das crueldades que o século XX reservou para os habitantes da Europa Central. Seus pais, perseguidos por sua origem polonesa, acabaram deportados para campos de trabalho forçados da União Soviética – o pai quando Tadeusz tinha 3 anos, a mãe, aos 7. Só em 1934 a família voltou a se reunir, fora da URSS, em Varsóvia, na Polônia.
Durante a Segunda Guerra Mundial, no início da ocupação nazista, Borowski desafiou a proibição de estudar, cursando escolas clandestinas. Muito jovem, começou a escrever poesia, publicando clandestinamente uma reunião de poemas.
Na faculdade de letras conheceu Maria Rundo, que seria o grande amor de sua vida. Juntos, eles se envolveram no movimento de resistência, publicando na imprensa clandestina. Ambos acabaram presos e enviados para Auschwitz, na Polônia, em 1943. Borowski, que não era judeu, ainda seria transferido para dois outros campos de concentração e, depois do fim da guerra, resgatado por unidades do Exército dos Estados Unidos e transferido para um campo de refugiados na Alemanha. Só voltaria a Varsóvia em 1946, quando reencontrou Maria e casou-se com ela.
No ano seguinte, lançou uma primeira versão de Adeus, Maria, com cinco dos nove textos desta coletânea. Em 1948, publicou outro volume de contos, O mundo de pedra. Na Polônia, Borowski ainda foi cofundador de um clube de artistas e intelectuais que atuou em colaboração estreita com o regime comunista. Sua obra posterior seria marcada pelo cunho propagandista.
Em 1951, dias depois do nascimento de sua primeira filha, deprimido – e, especula-se, decepcionado tanto com o comunismo e como com um caso extraconjugal –, Borowski se suicidou em Varsóvia, abrindo o registro de gás de um fogão.