Sobre Ronald
Quando a obra do escritor inglês foi reeditada nos Estados Unidos, em 1949, Edmund Wilson, um dos principais críticos literários americanos, publicou um texto na revista New Yorker dizendo ter a convicção de que “Firbank foi um dos melhores escritores ingleses de seu tempo e um dos mais aptos a tornar-se um clássico”. Na mesma época, o poeta W. H. Auden escreveu no New York Times: “Os nove ou dez romances curtos de Ronald Firbank são, para mim, um teste absoluto. Uma pessoa que não goste deles, como alguém que não gosta da música de Bellini ou prefere seu filé bem passado, até pode, tanto quanto eu saiba, ser dotada de algumas qualidades admiráveis, mas eu não vou querer vê-la novamente”.
Admirador da literatura francesa, sobretudo a de autores como Charles Baudelaire e J. K. Huysmans, ou do belga Maurice Maeterlinck, e de nomes do decadentismo inglês como Oscar Wilde, Aubrey Beardsley e Ernest Dowson, Firbank era também um esteta, e passou boa parte da vida viajando pela Europa e Oriente Médio, e frequentou círculos literários, principalmente em Paris, onde se destacava por seus trajes extravagantes e bem cortados e os modos marcados, excentricidade pontuada por comentários invariavelmente oblíquos. “Exageradamente feminino, sofisticado, cosmopolita e ‘elegante’”, diria dele um ex-colega de Cambridge.
Tendo vivido em um período no qual a homossexualidade era ilegal na Inglaterra, Firbank colocou em cena personagens que se relacionam com outros do mesmo gênero, explorando esse universo em seus textos. Tornou-se, assim, referência para estudos posteriores sobre literatura LGBT. Essa edição traz textos de W. H. Auden e Edmund Wilson sobre o autor e a obra, assim como um posfácio assinado por Bruno Gambarotto, doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo.