Autor
João da Cruz e Sousa nasceu na Ilha da Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, em 1861. Seus pais eram escravizados alforriados. Aos 8 anos já fazia versos e, aos 20, fundou o jornal Colombo com amigos, onde publicava poesia parnasiana. Dirigiu também o jornal Tribuna Popular, onde se dedicou à causa abolicionista. Alvo de discriminação racial, foi impedido de assumir um cargo de promotor em Laguna, apesar de sua nomeação. Em 1885, lançou o primeiro livro, Tropos e Fantasias, em parceria com Virgílio Várzea. Conhecido como Dante Negro, Cruz e Sousa foi o introdutor do Simbolismo no Brasil, através do seu livro de estreia, Missal, em 1893. Publicou no mesmo ano Broquéis. Esses foram os únicos livros editados em vida, mas seus poemas inéditos foram reunidos em coletâneas póstumas. Entre as mais conhecidas, estão Evocações (1898), Faróis (1900) e Últimos sonetos (1905). Fortemente influenciado pelo satanismo baudelareano, suas obras são marcadas pelo misticismo, a sinestesia, a alegoria e o pessimismo, além da temática da pobreza, do racismo e da morte. Durante toda a sua vida lutou contra a escravidão. Para sobreviver, além de poeta e jornalista, trabalhou na Estrada de Ferro Central do Brasil, onde adquiriu tuberculose e morreu em 19 de março de 1898.
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