Sobre Gueorgui
Gueorgui Gospodinov, nascido em 1968 na pequena cidade de Yambol, Bulgária, é tido como um dos mais importantes escritores europeus contemporâneos. Poeta, romancista, ensaísta e dramaturgo, tornou-se uma das vozes mais emblemáticas da literatura do Leste Europeu desde a dissolução do bloco soviético.
Formou-se em Filologia Búlgara pela Universidade de Sófia e finalizou o doutorado em Nova Literatura Búlgara pelo Instituto de Literatura da Academia de Ciências da Bulgária. Teve sua estreia no universo literário com a obra de poesias Lapidarium (1992), e posteriormente publicou Chereshata na edin narod [A cerejeira de um povo] (1996), pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Livro do Ano pela Bulgarian Writers' Union. Gospodinov, entretanto, tornou-se mais conhecido internacionalmente após a publicação de Estestven roman [Romance natural] (1999), seu primeiro romance, que traz reflexões sobre o absurdo da vida cotidiana na Bulgária pós-socialista e é marcado por uma estrutura experimental que mescla autobiografia, ensaio e ficção.
Seu segundo romance, Fizika na tagata [Física da saudade] (2012), obteve uma repercussão ainda maior. Escrito em resposta a um artigo do The Economist de 2010 que se referia à Bulgária como "o lugar mais triste do mundo", o romance pondera sobre o modo como a saudade -- a do seu protagonista e a do seu país -- pode ser vivenciada, acolhida e servir de impulsionadora à construção de um mundo mais empático. Em 2019, o livro foi adaptado para um curta de animação por Theodore Ushev.
Ainda em ascensão, Gospodinov publica Vremeubezhishte [Refúgio do tempo] (2020), sendo vertido ao inglês como Time Shelter em 2022 e se tornando, em 2023, o primeiro livro escrito em búlgaro a vencer o International Booker Prize. O romance retrata uma "clínica do passado" que oferece um tratamento promissor para pacientes com Alzheimer: cada andar reproduz uma década em detalhes minuciosos, transportando os pacientes de volta no tempo.
Em seu último livro, Gradinaryat i smurtta [O jardineiro e a morte] (2024), Gospodinov explora questões de morte e luto, inspiradas pela experiência que teve com o próprio pai. Além de romances, contos e peças de teatro, o autor teve participação em dois curtas-metragens, entre os quais Omlet [Omelete] (2009), que recebeu uma Menção Honrosa no Festival de Cinema de Sundance. Sua graphic novel Vechnata Muha [A mosca eterna] (2010) foi a primeira do gênero lançada na Bulgária e o curta-metragem de animação Blind Vaysha [Vaysha, a cega], indicado ao Oscar em 2017, foi baseado em um conto seu.