Sobre FlorêNcio
Florêncio Almeida Vaz Filho - Nasci e passei minha infância em Pinhel (Município de Aveiro), uma das mais antigas aldeias indígenas no Baixo Rio Tapajós. Desde cedo fui iniciado na tradição das histórias, dos mitos e crenças ligadas aos encantados. Todo começo de noite, cada um na sua rede, ao redor de uma
fogueirinha chamada mãe do fogo, escutávamos os relatos de nossos pais e avós. Dava medo, mas era muito bom. Dormíamos escutando histórias. Assim, desde que me entendo por gente, visagens, assovios do Boto, Pai do igarapé, pássaros agourentos, gente que se ingera, tudo isso para mim é muito familiar e faz parte do meu mundo. Depois, estudei Filosofia e Teologia, tornei-me frade franciscano,
fiz a graduação em Ciências Sociais (UFRJ), mestrado em Desenvolvimento e Agricultura (CPDA/UFRRJ) e doutorado em Ciências Sociais/Antropologia (PPGCS/Ufba), sempre estudando a história, o modo de vida e a cultura das comunidades do interior do Baixo Tapajós. Deparei-me com muita depreciação e discriminação sobre este nosso modo de pensar. E isso reforçou minha escolha de
fazer desta questão um dos objetos dos meus estudos. Fruto do conhecimento acadêmico adquirido e do despertar para a defesa do território e da história dos nossos povos, propus, em 1997, e ajudei a criar a Resex Tapajós-Arapiuns. No mesmo ano, junto com alguns amigos, criei o Grupo Consciência Indígena (GCI), que muito tem ajudado no processo de valorização de uma identidade local e
na reorganização étnica indígena na região. Incentivamos a história e a cultura dos povos indígenas e comunidades ribeirinhas através de várias atividades, como as Caravanas e Encontros da Cabanagem, em Cuipiranga. Foi também neste sentido que criei em 2007 o programa de rádio A Hora do Xibé. Como professor na UFPa/Ufopa, procuro envolver os alunos nesta realidade que, apesar de estar
muito próxima da cidade de Santarém, ao mesmo tempo parece muito distante. Este tem sido meu bom combate.